terça-feira, 25 de setembro de 2012

Biotecnologia


Biotecnologia é tecnologia baseada na biologia, especialmente quando usada na agricultura, ciência dos alimentos e medicina. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU possui uma das muitas definições de biotecnologia.

"Biotecnologia define-se pelo uso de conhecimentos sobre os processos biológicos e sobre as propriedades dos seres vivos, com o fim de resolver problemas e criar produtos de utilidade."

A definição ampla de biotecnologia é o uso de organismos vivos ou parte deles, para a produção de bens e serviços. Nesta definição se enquadram um conjunto de atividades que o homem vem desenvolvendo há milhares de anos, como a produção de alimentos fermentados (pão, vinho, iogurte, cerveja, e outros). Por outro lado a biotecnologia moderna se considera aquela que faz uso da informação genética, incorporando técnicas de DNA recombinante.
A biotechnologia não está limitada a aplicações na área médica e de saúde (ao contrário da engenharia biomédica, que inclui muita biotecnologia). Embora não seja normalmente considerada como biotecnologia, a agricultura claramente se encaixa na definição ampla de "usar um sistema biotecnológico para fazer produtos", de tal forma que o cultivo de plantas pode ser visto como o primeiro empreendimento de biotecnologia. As teorias tem considerado que a agricultura tornou-se a forma dominante de produção de alimentos desde a Revolução Neolítica. Os processos e métodos de agricultura foram refinados por outras ciências mecânicas e biológicas desde a sua criação. Através dos primórdios da biotecnologia, os agricultores foram capazes de selecionar as melhores culturas adequadas, tendo os maiores rendimentos, para produzir alimentos suficientes para sustentar uma população crescente. Outros usos da biotecnologia foram necessários quando as culturas e os campos tornaram-se cada vez maiores e difíceis de manter. Organismos específicos e subprodutos de organismos foram utilizados para fertilizante, restauração de nitrogênio e controle de pragas. Durante o uso da agricultura, os agricultores têm, inadvertidamente, alterado a genética de suas culturas ao introduzi-las a novos ambientes e cultivando-as artificialmente com outras plantas, uma das primeiras formas de biotecnologia. Culturas como as da Mesopotâmia, Egito e Índia desenvolveram o processo de fabricação de cerveja. É ainda feito pelo mesmo método básico de usar grãos maltados (contendo enzimas) para converter o amido de grãos em açúcar e em seguida, adicionando leveduras específicas para produzir cerveja. Neste processo, os carboidratos dos grãos são quebrados em álcoois tais como etanol. Mais tarde outras culturas produziram o processo de fermentação lática que permitiu a fermentação e preservação de outras formas de alimentos. A fermentação também foi utilizada nesta época para produzir pão levedado. Embora o processo de fermentação não foi totalmente compreendido até o trabalho de Pasteur em 1857, ainda é a primeira utilização da biotecnologia para converter uma fonte de alimento em outra forma.

Por milhares de anos, os seres humanos têm utilizado cruzamentos seletivos para melhorar a produção de colheitas e do gado para usá-los como alimento. Na criação seletiva, os organismos com características desejáveis ​​são acasalados para que produzam descendentes com as mesmas características. Por exemplo, esta técnica foi usada com o milho para produzir colheitas maiores e mais doces.

No início do século XX os cientistas obtiveram uma maior compreensão da microbiologia e exploraram formas de fabricação de produtos específicos. Em 1917, Chaim Weizmann usou pela primeira vez uma cultura microbiológica pura em um processo industrial, o da fabricação de amido de milho com Clostridium acetobutylicum, para produzir acetona, que o Reino Unido desesperadamente precisava para a fabricação de explosivos durante a Primeira Guerra Mundial.

A biotecnologia também levou ao desenvolvimento de antibióticos. Em 1928, Alexander Fleming descobriu o fungo Penicillium. Seu trabalho levou à purificação do antibiótico penicilina por Howard Florey, Ernst Boris Chain e Heatley Norman. Em 1940, a penicilina tornou-se disponível para uso medicinal para o tratamento de infecções bacterianas em seres humanos.

Considera-se que o campo da biotecnologia moderna tenha começado em grande parte em 16 de junho de 1980, quando a Suprema Corte dos EUA determinou que um microorganismo geneticamente modificado poderia ser patenteado no caso Diamond vs Chakrabarty.[4] Ananda Chakrabarty, nascido na Índia, trabalhando para a General Electric, tinha desenvolvido uma bactéria (derivada do gênero Pseudomonas) capaz de quebrar o petróleo bruto, o qual ele propôs utilizar no tratamento de derramamentos de petróleo.

Estimava-se que a receita do setor deveria crescer 12,9% em 2008. Outro fator que influencia o sucesso do setor de biotecnologia é o aperfeiçoamento da legislação sobre direitos de propriedade intelectual, incluindo aplicação de sanções, em nível mundial, assim como uma reforçada demanda por produtos médicos e farmacêuticos para lidar com a população norte-americana doente e envelhecida.
A crescente demanda por biocombustíveis tende a ser uma boa notícia para o setor de biotecnologia. O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que o uso do etanol nos Estados Unidos poderia reduzir o consumo de combustíveis derivados do petróleo em 30% por volta de 2030. O setor de biotecnologia permitiu que o setor agrícola dos EUA aumentasse rapidamente o fornecimento de milho e soja - os principais insumos dos biocombustíveis - através do desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas que são resistentes a secas e pragas. Ao aumentar a produtividade agrícola, a biotecnologia tem um papel crucial na garantia de que as metas de produção de biocombustíveis sejam cumpridas. 
Antes dos anos 1970, o termo biotecnologia era utilizado principalmente na indústria de processamento de alimentos e na agroindústria. A partir daquela época, começou a ser usado por instituições científicas do Ocidente em referência a técnicas de laboratório desenvolvidas em pesquisa biológica, tais como processos de DNA recombinante ou cultura de tecidos. Realmente, o termo deveria ser empregado num sentido muito mais amplo para descrever uma completa gama de métodos, tanto antigos quanto modernos, usados para manipular organismos visando atender às exigências humanas. Assim, o termo pode também ser definido como, "a aplicação de conhecimento nativo e/ou científico para o gerenciamento de (partes de) microorganismos, ou de células e tecidos de organismos superiores, de forma que estes forneçam bens e serviços para uso dos seres humanos.

Há muita discussão - e dinheiro - investidos em biotecnologia, com a esperança de que surjam drogas milagrosas. Embora tenham sido produzidas uma pequena quantidade de drogas eficazes, no geral, a revolução biotecnológica ainda não aconteceu na indústria farmacêutica. Todavia, progressos recentes com drogas baseadas em anticorpos monoclonais, tais como o Avastin da Genentech, sugerem que a biotecnologia pode finalmente ter encontrado um papel a desempenhar nas vendas farmacêuticas.
Fonte:

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Coletor de energia do ar

Alimentar casas e fábricas com eletricidade coletada diretamente do ar pode ser possível: cientistas brasileiros resolveram um enigma científico que durava séculos sobre como a umidade na atmosfera torna-se eletricamente carregada, abrindo caminho para seu aproveitamento.

Imagine dispositivos capazes de capturar a eletricidade do ar e usá-la para abastecer residências ou recarregar veículos elétricos, por exemplo. Da mesma forma que painéis solares transformam a luz do Sol em energia, esses painéis futurísticos poderão coletar a eletricidade do ar - a mesma eletricidade que forma os relâmpagos - e direcioná-la de forma controlada para alimentar qualquer equipamento elétrico, nas casas e nas indústrias.

Se isso parece revolucionário demais, mais entusiasmante ainda é saber que a descoberta que poderá tornar esses sonhos uma realidade foi feita por um cientista brasileiro. O professor Fernando Galembeck, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) apresentou suas descobertas históricas hoje (25) durante a reunião da American Chemical Society (ACS), em Boston, nos Estados Unidos. "Nossa pesquisa pode abrir o caminho para transformar a eletricidade da atmosfera em uma fonte de energia alternativa para o futuro," disse Galembeck. "Assim como a energia solar está liberando algumas residências de pagar contas de energia elétrica, esta nova e promissora fonte de energia poderá ter um efeito semelhante."

A descoberta do professor Galembeck parece resolver um enigma científico que já dura séculos: como a eletricidade é produzida e descarregada na atmosfera. No início da Revolução Industrial, os cientistas perceberam que o vapor que saía das caldeiras gerava faíscas de eletricidade estática - trabalhadores que se aproximavam dos vapores eram frequentemente atingidos pelos choques elétricos. Mas essa eletricidade se forma também em locais mais amenos, quando o vapor de água se junta a partículas microscópicas no ar, o mesmo processo que leva à formação das nuvens - é aí que começam a nascer os relâmpagos.

Nikola Tesla ficou famoso pelas suas tentativas de capturar e utilizar essa eletricidade do ar, tentativas infelizmente nem sempre bem-sucedidas. Mas, até agora, os cientistas não tinham um conhecimento suficiente sobre os processos envolvidos na formação e na liberação de eletricidade a partir da água dispersa pela atmosfera. "Se nós soubermos como a eletricidade se acumula e se espalha na atmosfera, nós também poderemos evitar as mortes e os danos provocados pelos raios," estima Galembeck.

Os cientistas sempre consideraram que as gotas de água na atmosfera são eletricamente neutras, e permanecem assim mesmo depois de entrar em contato com as cargas elétricas nas partículas de poeira e em gotículas de outros líquidos. Mas o professor Fernando Galembeck e sua equipe descobriram que a água na atmosfera adquire sim uma carga elétrica.

O grupo brasileiro confirmou essa ideia por meio de experimentos de laboratório que simulam o contato da água com as partículas de poeira no ar. Eles usaram minúsculas partículas de sílica e fosfato de alumínio - ambas substâncias comumente dispersas no ar - para demonstrar que a sílica se torna mais negativamente carregada na presença de alta umidade, enquanto o fosfato de alumínio se torna mais positivamente carregado. "Esta é uma evidência clara de que a água na atmosfera pode acumular cargas elétricas e transferi-las para outros materiais que entrem em contato com ela," explicou Galembeck. "Nós a chamamos de higroeletricidade, ou seja, a eletricidade da umidade."

Painéis para capturar a energia higroelétrica poderão ser colocados no topo dos prédios para drenar a energia do ar e impedir o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios. [Imagem: Martin Fischer]No futuro, segundo Galembeck, poderá ser possível desenvolver coletores - similares às células solares que coletam a luz solar para produzir eletricidade - para capturar a higroeletricidade e permitir seu uso em residências e empresas. Assim como as células solares funcionam melhor nas regiões mais ensolaradas do mundo, os painéis higroelétricos vão funcionar de forma mais eficiente em áreas com alta umidade, uma característica das regiões tropicais, Brasil incluído.

Alta umidade significa altos níveis de vapor de água no ar - um vapor que se torna visível ao se condensar e embaçar os vidros do carro, por exemplo, e cuja baixa intensidade incomoda tanto nos dias secos de inverno. Galembeck afirmou em sua apresentação que uma abordagem semelhante poderia ajudar a prevenir a formação de raios. Ele vislumbra a colocação de painéis higroelétricos no topo de prédios em regiões onde ocorrem muitas tempestades. Os painéis drenariam a energia do ar, impedindo o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios.

Seu grupo de pesquisa já está testando metais para identificar aqueles com maior potencial para utilização na captura da eletricidade atmosférica e prevenção dos raios. "São ideias fascinantes que novos estudos, nossos e de outras equipes de cientistas, poderão tornar realidade," disse Galembeck. "Nós certamente temos um longo caminho a percorrer. Mas os benefícios no longo prazo do aproveitamento da higroeletricidade podem ser substanciais." Durante o século 19, houve vários relatos experimentais associando a interface ar-água e os fenômenos eletrostáticos da chamada "eletricidade do vapor".

O famoso Lord Kelvin idealizou um equipamento, que ele chamou de condensador de gotas de água, para reproduzir experimentalmente o fenômeno. Contudo, até hoje ninguém havia conseguido descrever os mecanismos do acúmulo e da dissipação das cargas elétricas na interface ar-água. Isso pode dar a dimensão dos resultados agora obtidos pelos cientistas brasileiros. O trabalho do professor Fernando Galembeck e sua equipe demonstra que a adsorção do vapor de água sobre superfícies de materiais isolantes (dielétricos) ou de de metais isolados - devidamente protegidas dentro de um ambiente blindado e aterrado - leva à acumulação de cargas elétricas sobre o sólido, em um intensidade que depende da umidade relativa do ar, da natureza da superfície usada e do tempo de exposição. A pesquisa verificou ainda um aumento acentuado nas cargas elétricas acumuladas quando são usados substratos líquidos ou isolantes sólidos, sob a ação de campos externos, quando a umidade relativa do ar se aproxima de 100%.

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=coletar-energia-ar-umidade-higroeletricidade
acesso em outubro de 2010
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Filtro de ar feito de fibras de coco



      
 




O projeto científico de produção de filtros para veículos automotivos e sistema de refrigeração produzidos a partir da fibra do coco comum, de autoria dos professores do Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto Federal de Roraima (IFRR), será patenteado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e aceito pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UNB). O projeto ficou classificado entre os dez primeiros colocados de todo o país. Participaram da seleção trabalhos científicos de inovações de mais de 400 campus espalhados por todos os estados, objetivando promover a inovação tecnológica em todas as regiões, valorizando a pesquisa desenvolvida em todas as áreas do conhecimento dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, com o intuito de apoiar sua transferência para o setor produtivo, para que ocorra o desenvolvimento tecnológico de toda a indústria nacional Os professores Jamil Lima da Silva, diretor de pesquisa e pósgraduação do campus Boa Vista, e Cleide Maria Fernandes Bezerra, coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) foram os autores do projeto que trata da utilização da fibra do coco para o uso industrial e residencial como filtro ecológico, evitando o acúmulo de fungos, além de minimizar os riscos das doenças respiratórias.

"Trabalhamos inovações que possam ser reconhecida nacionalmente como proposta que possam contribuir para a redução da poluição do lixo químico que requer um trabalho de conscientização da população para a correta destinação final destes materiais. Com o reconhecimento e certificação da patente, será um avanço e reconhecimento nacional do nosso rico potencial produtivo que pode ser utilizado em escala industrial", afirmou Cleide Bezerra. Com a aprovação e seleção do projeto a ser utilizado na linha automotiva e residencial, o próximo passo é a liberação de verbas financeiras pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para que sejam fabricados protótipos dos filtros, e em seguida o produto passará a ser comercializado nacionalmente como alternativa inovadora para o controle de fungos, responsáveis por índices de mortalidade em grande parte da população. O professor Jamil Lima acrescentou que o projeto é um incentivo para que os núcleos de inovações tecnológicas em todo o país possam desenvolver projetos que incentivem o uso racional de matéria prima existente na natureza, e com isso sejam eliminados os itens industriais que trazem riscos á saúde da população.

Segundo o professor Jamil Lima, um dos autores do projeto, o filtro é produzido a partir da extração da fibra do coco e emergido em um banho de látex para amenizar os materiais particulados, fagulhas encontradas no ar atmosférico. "Através de pesquisa realizada junto com a Embrapa, descobriu-se que o produto advindo do coco aumenta o poder de imunização pulmonar dos seres humanos contra agressão das bactérias nocivas encontradas no ar" disse Jamil. Ecologicamente correto, os filtros produzidos a partir da fibra do coco irão beneficiar a população e reduzir as doenças respiratórias.

De acordo com Lima, o filtro é produzido a partir da extração da fibra do coco e emergido em um banho de látex para amenizar os materiais particulados, fagulhas encontradas no ar atmosférico. "Através de pesquisa realizada junto com a Embrapa, descobriu-se que o produto advindo do coco aumenta o poder de imunização pulmonar dos seres humanos contra agressão das bactérias nocivas encontradas no ar" disse Jamil. Ecologicamente correto, os filtros produzidos a partir da fibra do coco irão beneficiar a população e reduzir as doenças respiratórias. Além desta pesquisa um dos temas de mestrado defendido pelo diretor de pesquisa e pós-graduação do IFRR, foi a implantação e uso de laboratórios de óleo vegetal para a produção de biocombustível, a partir do óleo de dendê, macaúba, mamona, buriti e castanha de caju. "Temos que divulgar experiência com resultados positivos para a redução dos níveis de poluição. Apresentei como alternativa inovadora o acréscimo de 20% ao diesel de óleo vegetal produzido por matérias-primas encontradas na natureza, que são consideráveis fontes de energia. Com esta contribuição acredito que estaremos dando um passo importante e buscando parcerias importantes para esta conscientização nacional, na preservação de nosso planeta", comentou.
Fonte:
http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=103184
http://www.ifrr.edu.br/index.php/component/content/article/1-ultimas/667-professores-do-ifrr-tem-projeto-aceito-para-ser-patenteado
http://www.boavistaagora.com/index.php?option=com_content&view=article&id=3137:professores-do-ifrr-tem-projeto-aceito-para-ser-patenteado&catid=34:educacao&Itemid=54
acesso em fevereiro de 2011
Filtro de fibra de coco será patenteado, Folda Boa Vista, RR, 11/02/2011
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Borracha biodegradável




 


 
 

 
 
Exemplo bem sucedido de matéria-prima biodegradável é uma borracha que utiliza componentes de fontes renováveis durante o processo de fabricação. Patenteado pela Química Madater, o processo vem comprovando a sua eficácia em todos os testes a que é submetido, demonstrando que é possível se produzir um composto de látex ambientalmente correto que preserva as características de performance exigidas pelas indústrias dos mais variados segmentos. O diretor industrial e de desenvolvimento, Tulio Sergio Fulginiti, conta que a Madater fornece insumos para as indústrias de beneficiamento de borracha e que a empresa desenvolveu três soluções alternativas para este segmento. O MD 600 é um óleo vegetal modificado para substituir os óleos aromáticos, parafínicos, nafténicos e o DOPs. Já o MDCO trata-se de um derivado de cereais que entra no lugar do carbonato de cálcio e caulim. Enquanto isso, o extrato da cana-de-açúcar MD.ECR é para ser usado em vez do óxido de zinco e estearina. Com a implementação destes insumos na composição da borracha, produtos como solados de calçados, pneus e peças técnicas passam a ser de fontes renováveis ou biodegradáveis, deixando de usar óleos contaminantes, cargas minerais e metais.

"Esta tecnologia revolucionária já existe no mercado há 20 anos. O que mudou neste tempo todo é que hoje conseguimos as parcerias certas para testar e atestar a qualidade e veracidade do produto", ressalta Fulginiti, lembrando que a empresa trabalha com critérios bem definidos, de acordo com a necessidade das indústrias de transformação. O empresário destaca que um pneu convencional demora em torno de 500 anos para se decompor no meio ambiente, mas quando ocorre a substituição de alguns dos componentes por substratos de fontes renováveis, o mesmo pneu passa a se degredar em apenas cinco anos após ser descartado em local apropriado, com uma taxa de 80% de degradação. Os 20% de matéria resultante apresentam índices de metais pesados e demais substâncias restritivas dentro dos limites tolerados por normas internacionais.

O coordenador técnico do Laboratório da Qualidade do IBTeC, Ademir de Varga, conta que para a realização dos testes foram desenvolvidos três tipos de borracha - fórmula padrão, de fontes renováveis e com materiais biodegradáveis. As amostras foram submetidas a testes com o uso de ultravioleta para acelerar o processo de envelhecimento para comparar com os materiais não envelhecidos. Os resultados preliminares conferem que o produto apresenta uma boa resistência à colagem, além de ter sido aprovado nos testes químico, físico e de substâncias restritivas. O produto atingiu uma boa percentagem de biodegradabilidade e a presença de metais solúveis estão dentro dos limites", pontua Ademir. Os testes ainda seguem no laboratório do IBTeC em parceria com o PPGEM da UFRGS. O gerente industrial da IM Três Indústria e Comércio de Pneumáticos, Gerson Luis Morschbarcher, se surpreendeu com a porcentagem de biodegradação do material introduzido na linha de montagem. Os testes começaram há um ano e a expectativa de utilização é a mesma de um pneu convencional, porém, com a vantagem de ser um produto ambientalmente correto. "O pneu atende a todos os requisitos na sua utilização e ainda seus resíduos no desgaste do uso não possuem metais pesados, e nenhum produto agressivo, como óleos aromáticos", relata.
Fonte:
http://www.madater.com.br/index.php?idTela=3 acesso em agosto de 2011
Biodegradabilidade: um desafio a vencer, Luis Vieira. Revista Tecnicouro. Outubro 2011 p.43, Novo Hamburgo
Agradeço ao inventor Tulio Sergio Fulginiti (tulio@madater.com.br) pelo envio de material em dezembro de 2011 para composição desta página
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Celulose do pseudocaule de bananeira





Uma matéria prima desprezada pelos plantadores de banana de Pernambuco está transformando-se num poderoso aliado dos fabricantes de caixas de papelão para embalagens. Pesquisadores do Departamento de Bioquímica da UFPE descobriram que adicionando-se fibras do pseudocaule de bananeira à celulose, as caixas de papelão ficam muito mais resistentes. O pseudocaule é a parte da bananeira que se eleva do chão até o fruto, o equivalente ao tronco em outras espécies vegetais. Em fase de testes a pesquisa pode representar significativos ganhos de qualidade na indústria de papelão para embalagens, conhecido no meio como papelão ondulado. "Os resultados dos testes físicos foram favoráveis. A resistência da celulose aumentou em até 50%", entusiasma-se Mem Ramos, sócio-gerente da Indústria Pernambucana de Artefatos de Papelão (Ipap), empresa fundada em 1979 e com produção de 600 toneladas por mês distribuída nas regiões Norte e Nordeste.

A empresa é a primeira a comprovar as virtudes do novo processo e logo ofereceu-se como parecira da pesquisa. "Nosso próximo passo é verificar se o uso do pseudocaule de bananeira é economicamente viável", conta Ramos. Tudo indica que, como esperam os pesquisadores, a inovação também respresentará ganhos econômicos a partir da produção em alta escala. A cultura da banana é muito difundida na zona rural do norte pernambucano, o que permitirá a obtenção do pseudocaule a custos muito baixos. Por outro lado, o sisal, normalmente usado na função, está cada vez mais escasso na região O mesmo ocorre com o bambu e o pinus, utilizados apenas nas partes em que são mais abundantes Muitas fábricas de papel e papelão do Nordeste são obrigadas a importar fibras longas do Sul", conta o engenheiro químico Ricardo Petrarca, um dos membros da equipe de pesquisadores comandada pelo bioquímico Eduardo Henrique de Magalhães Melo.

Magalhães, que fez doutorado na Inglaterra, tem viajado com frequência ao exterior em busca de parcerias para viabilizar a produção de celulose com pseudocaule de bananeira. Por enquanto o processo tem sido realizado na planta-piloto instalada numa usina de açúcar de Macaparana em Pernambuco, município grande produtor de bananas. Trata-se de um projeto conjunto da Universidade Federal, do Governo do Estado e da prefeitura, com participação da Companhia Federal de Fundição do Rio de Janeiro , que cedeu equipamentos. O problema é que oritmo das pesquisas tem sido prejudicado pelos constantes paralizações causadas pela sazonalidade da indústria do açúcar, responsável pelo fornecimento de água, energia elétrica, tratamento de esgoto e outras etapas do processo de produção da celulose. A utilização da infra-estrutura de uma usina de açúcar não é por acaso, já que o processo de produção da celulose com pseudocaule de bananeira assemelha-se ao da extração do caldo de cana. O material é cortado em tiras e passa por uma forrageira, para que o excesso de líquido típico da bananeira seja retirado. Depois é misturado aos demais elementos da fórmula - bagaço de cana e aparas de papel que sobram do corte industrial - e submetido a altas temperaturas. A partir de variações do percentual de água, da pressão e da temperatura obtiveram-se fórmulas mais eficazes para ampliar a resistência da celulose.

Em tese de mestrado de 2001 junto a Esalq de Piracicaba, Maria de Lourdes Soffner apresenta um estudo que visa a produção de polpa celulósica a partir de engaço de bananeira. A autora observa que muitas espécies de bananeiras do gênero Musa tem sido exploradas para comercialização em pequena escala das fibras técnicas ou comerciais do pseucdocaule, que constituem-se em feixes fibrosos com comprimentos relacionados com o comprimento do pseudocaule. Há muitos anos vem sendo averiguada a viabilidade técnica para produzir polpa celulósica a partir de resíduos da bananeira, principalmente do pseudocaule e do engaço. Nas Filipinas o pseudocaule do abacá, uma espécie de bananeira é utilizado para produção de produtos artesanais como bolsas, sacolas e papel co elevada resistência, denominado manila paper, empregado na fabricação de sacos para acondicionamento de farinhas, cimento, cal e artigos semelhantes. No Japão, segundo dados de Medina em 1959, a fibra do abacá é utilizada para manufatura de um papelão resistente, utilizado na construção de paredes e móveis. Na Costa Rica, um dos maiores exportadores mundiais de banana, o engaço tem sido utilizado como matéria prima na produção de papéis de impressão na proporção de 10% de fibra de engaço e 90% de aparas, e também na produção de papéis artesanais. Historicamente os primeiros papéis para escrita foram produzidos a partir de plantas não madeiras, ou denominadas plantas anuais.
Fonte:
Tecnologia & Inovação para a indústria, Sebrae, 1999, página 22
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11149/tde-13122001-114259/publico/soffner.pdf
acesso em junho de 2003
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Filtro Biológico

Um grupo de quatro alunos do curso de Química da UCB, Igor Ramon, Rennis Peixoto, Cleber Pereira e Cléia Barbosa, juntamente com os professores Murilo Torres, Carlos Fortes e Regina Dalston, orientadora do projeto, foram o vencedor do II Prêmio Mostra PUC-Rio, na categoria Responsabilidade Social. Os estudantes, voluntários do Programa de Iniciação Científica, apresentaram o projeto BIO-ETARs, uma estação de tratamento de esgoto residencial desenvolvida para atender as necessidades de comunidades carentes e periferias. A solenidade de premiação foi no dia 20 de agosto, na abertura da VI Mostra PUC-Rio. A partir da data em que receber o prêmio, a equipe terá entre seis e oito meses para implantar o projeto. A Profa. Regina Dalston avalia a execução do projeto como uma maneira de melhorar a qualidade de vida das populações carentes: "Toda comunidade carente não tem saneamento básico. Essa estação de tratamento será importante porque não poluirá o meio ambiente e os custos para a implantação dela serão baixos", comentou. O grupo ainda não se reuniu para decidir qual será a comunidade carente escolhida para ser beneficiada pela estação de tratamento.

Igor Ramon, 22 anos, estudante de Química do 3º semestre da Universidade Católica de Brasília (UCB) quis melhorar suas condições de vida e a dos vizinhos. No lugar onde mora não passa água encanada. A comida, o banho e água de beber vêm de poço artesiano: "Se o problema é água suja, vamos tratá-la. Eu estudo Química, então posso fazer isso", insistia desde os primeiros meses da faculdade. A vontade de mudar o atraiu para os projetos de pesquisa científica da UCB. Em troca do contato com os mais experientes, ele passou vários meses como pesquisador voluntário. A estratégia deu certo. Em alguns meses, o projeto para criar uma estação de tratamento de esgoto ganhava corpo e uma maquete foi montada para demonstrar como o filtro biológico trataria a água sem poluir o ambiente. Em um dos tanques, a plantação de arroz produz microrganismos que absorvem a matéria orgânica. No segundo recipiente, um combinado de algas e fungos não deixa passar os micronutrientes da água. E, no terceiro aquário, uma porção de peixes pequenos se alimenta do resto que polui o líquido. De um lado do filtro sai a água limpa. Do outro, uma espécie de lodo rico em nutrientes que será usado como adubo. "A vantagem desse sistema é ser feito em terrenos úmidos e custar 40% menos que os outros métodos de tratar a água", compara o estudante.

Não foi só Igor que viu vantagens em seu filtro biológico. Uma comissão formada por oito professores com PhD em diversas áreas do conhecimento premiou a invenção do aluno da Universidade Católica como a melhor da II Mostra PUC-Rio/BR. É a sexta edição do evento, mas a segunda vez que ele retribui as criações com dinheiro. Por ser o melhor na categoria de empreendedorismo social, ele levou R$ 12 mil. O dinheiro vai ser o primeiro passo para Igor colocar o projeto em prática. Ele e mais dois colegas, que participaram das pesquisas, querem implementar o filtro no Areal. O dinheiro é muito para o estudante, que está há um semestre sem assistir às aulas por não poder arcar com as mensalidades, mas é pouco para realizar o sonho do futuro Químico. "A Católica decidiu patrocinar a experiência no Areal e dar bolsas para os estudantes continuarem com as pesquisas. Além de ser uma forma de ajudar essa comunidade carente, estaremos investindo em pesquisadores de potencial", considera a orientadora do projeto, a físico-química Regina Dalston. Depois da premiação no Rio, a Católica é mais uma instituição que acredita na capacidade do futuro Químico. Lá no Rio, Igor recebeu outras duas propostas para continuar as pesquisas. Em uma delas, ele testaria o projeto na favela da Rocinha. Mas esses são planos para o futuro. Primeiro, quer trocar os poços da vizinhança onde mora pelo filtro biológico.

Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020930/sup_gab_300902_4.htm
http://www.ucb.br/extensao/Radar/Radar%2017_2002.htm
http://www.ccesp.puc-rio.br/mostrapuc/resultado_es.html
acesso em janeiro de 2003
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Pneu Xapuri





Resultado de um acordo entre a Pirelli e cooperativas de produtores de borracha natural da região Norte do Brasil, está chegando ao mercado brasileiro o primeiro pneu fabricado no País (produzido na Pirelli em Feira de Santana/BA) com borracha natural Brasileira. Trata-se do Xapuri, um pneu convencional para eixos direcionais e livres, para ser utilizado por veículos de transporte de cargas e de passageiros, em percursos de média e baixa severidade. Segundo a Pirelli, seu desenho e composto de borracha foram projetados para assegurar boa dirigibilidade e aderência em pisos secos e molhados. O novo produto é disponível nas medidas 9.00-20 e 10.00-20 e será comercializado, inicialmente, nas regiões Norte e Nordeste.

De acordo com o diretor-presidente da Pirelli, Giorgio della Seta, o lançamento de um pneu com 100% de borracha natural também faz parte da política de meio ambiente e desenvolvimento comunitário da companhia. A iniciativa é parte de um acordo firmado há mais de dois anos com cooperativas de produtores da região, e prevê o envio de especialistas da empresa para o treinamento em aprimoramento da mão-de-obra local para a melhoria dos processos de extração, produção e de beneficiamento das placas brutas de borracha. Com o lançamento do pneu Xapuri, a Pirelli estima que irá consumir mais de 150 toneladas da borracha produzida no País, principalmente nas localidades de Xapuri e de Sena Madureira, no Acre, garantindo trabalho e renda para mais de 300 famílias de seringueiros da região.

Colocar no mercado produtos de baixo impacto ambiental ou feitos por comunidades nativas consome tempo e investimento das empresas. A Pirelli, por exemplo, levou quatro anos para conseguir colocar no mercado o Xapuri, pneu fabricado com borracha extraída por seringueiros do Acre, que viviam em semi-abandono na floresta desde que a extração da borracha entrou em crise na década de 80 por causa da queda no preço do produto no mercado. Para conseguir obter látex de qualidade, especialistas da fábrica italiana foram enviados ao Acre para treinar os seringueiros. Em 2001, o Xapuri só será comercializado no Norte e Nordeste. Até 2003, a produção envolverá 6.000 seringueiros, e o pneu será vendido em todo o Brasil e no exterior.
Uma mulher acostumada aos assuntos rurais, filha de seringueiro, alfabetizada só depois de adulta, procurou há cerca de três anos o presidente de uma multinacional, expert em administração de empresas e entendido até em fibra ótica. Ela é a senadora petista Marina Silva, do Acre. Ele, Giorgio Della Seta, um italiano formado em Direito e que dirige a Pirelli do Brasil. As diferenças entre os dois desapareceram assim que a senadora começou a falar sobre a decadência da borracha no Acre. Ela propôs que a empresa de Della Seta, uma das maiores do mundo na fabricação de pneus e fibras óticas, investisse na região. O recado de Marina foi objetivo: “O senhor não acha que tem um compromisso com os seringueiros que produzem a borracha que já serviu tanto para a Pirelli?”. Della Seta achou que sim. Três anos depois do encontro, a Pirelli está lançando um pneu para caminhão batizado de Xapuri. Segundo a empresa, será o único pneu no mundo a usar borracha extraída de seringais nativos.

A volta às origens da indústria é uma jogada institucional. "O Xapuri é um investimento social", diz Della Seta. Com a ajuda de técnicos da empresa, os seringueiros da região aprenderam como produzir uma borracha de qualidade superior. "Gostaria que os nossos concorrentes também comprassem a borracha de lá. Se a atividade não tiver apoio das empresas poderá desaparecer", adverte Della Seta.
Fonte:
http://www.cebds.com/jornal/responsabilidade.htm
http://www.revistaocarreteiro.com.br/ano2000/Edicao310/pneu310.htm
http://www.isegnet.com.br/mostre_noticias.asp
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/138/negocios/neg138_07.htm


acesso em março de 2002
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Recuperação de solos

Uma 'parceria' entre bactérias e árvores está possibilitando o reflorestamento de áreas degradadas no Brasil. Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia -- sediada em Seropédica (RJ) -- desenvolveram uma técnica para recuperar a formação vegetal de áreas com solo empobrecido e encontraram uma solução barata e eficiente de recuperar essas regiões em pouco tempo. Através de uma associação natural entre bactérias e árvores leguminosas (como o angico, o maricá e o pau-jacaré), os cientistas estão desenvolvendo mudas de plantas mais resistentes às condições adversas causadas pelo solo infecundo. E essas mudas são responsáveis por estabelecer o processo de sucessão natural da vegetação nas áreas degradadas.
"São áreas onde a natureza não consegue mais responder por ela própria", resume Eduardo Campello, engenheiro florestal da Embrapa, que desenvolve o projeto com os pesquisadores Avílio Franco e Sérgio Faria. Para recuperá-las, os cientistas potencializaram um associação natural -- chamada simbiose -- existente entre bactérias e leguminosas. A simbiose é uma troca entre seres vivos proveitosa para ambos os lados: as bactérias do solo fornecem à árvore nitrogênio retirado do ar, enquanto recebem carboidratos oriundos da fotossíntese. A técnica desenvolvida pela equipe consiste em otimizar essa associação. O grupo seleciona as linhagens de bactérias mais eficientes e produz mudas de árvores associadas a essas bactérias. Após uma seleção das melhores mudas, as leguminosas são plantadas em viveiros e depois encaminhadas a áreas degradadas. As árvores desenvolvidas pela Embrapa já foram plantadas em regiões afetadas pela mineração no Pará, algumas cidades do Nordeste e em áreas de encosta do estado do Rio de Janeiro.

A própria natureza deu a pista aos pesquisadores, que só precisaram potencializar as relações entre as leguminosas e as bactérias. Com a nova técnica, não foi somente a capacidade de recuperação da cobertura vegetal aumentou. Outras espécies de árvores, mais difíceis de ser reintroduzidas no ambiente, foram favorecidas pela capacidade de regeneração das leguminosas. Isso quer dizer que a implantação das leguminosas criou um ambiente propício para outras árvores germinarem, e assim diminuiu o tempo de recuperação da cobertura vegetal, a chamada sucessão natural. Além do 'enriquecimento' com bactérias, os pesquisadores também utilizam fungos micorrízicos, que também vivem no solo e se associam não só com as leguminosas, mas também com outras árvores. Esses fungos são responsáveis por aumentar a capacidade de absorção de fósforo e água na planta, além de lhe conferir mais resistência a situações de estresse ambiental. Sem essas características, a planta necessitaria de cuidados mais específicos, como boas condições climáticas e adubação especial. Assim, a dupla associação entre bactérias e fungos oferece à planta a capacidade de se reproduzir em ambientes degradados e, dessa forma, promover o reflorestamento de outras espécies de árvores.

Fonte:
http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n060.htm

acesso em fevereiro de 2002
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Encosto de fibra de coco

Uma iniciativa, ligada ao Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia (Poema), está unindo pequenos produtores de coco do interior do Pará à multinacional alemã DaimlerChrysler, com bons resultados para todos os envolvidos. O projeto consiste na utilização de fibras naturais, extraídas da casca do coco, na fabricação de encostos de cabeça, pára-sol interno, assentos e encostos de bancos, que equipam veículos Mercedes-Benz produzidos no Brasil. Por sua participação no programa, a DailerChrysler conquistou o prêmio Eco 2001, concedido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham-SP). O Poema foi idealizado pela Universidade do Pará na época da Rio 92, com o objetivo de frear a devastação dos ecossistemas amazônicos, dar trabalho à população local e promover a utilização de matérias-primas renováveis. Para tanto, propôs parceria a DaimlerChrysler, que investiu US$ 1,4 milhão na pesquisa "Tecnologia Ecológica", onde foram estudadas várias alternativas de matérias-primas (fibras, óleos, corantes, resinas e borracha) até alcançar um produto competitivo e de qualidade.

Para viabilizar a técnica proposta, um projeto experimental foi montado na comunidade de Marajó, com a produção de encostos de bancos para caminhões. A produção industrial veio com a inauguração, em março último, da Poematec Ltda., uma fábrica de produtos feitos de fibra de coco criada por oito professores e pesquisadores da Universidade do Pará, em Ananindeua, região metropolitana de Belém. O investimento foi de R$ 8 milhões, da Daimler - que cedeu os equipamentos em comodato por dez anos -, do Banco da Amazônia (Basa) e do governo do Pará. As cascas de coco são fornecidas por oito comunidades, que instalaram pequenas fábricas para o processamento da fibra do coco. A partir daí, a Poematec produz os componentes finalizados. Quanto chegar a sua capacidade total, por volta do final de 2002, a indústria consumirá, por mês, 45 toneladas de fibra de coco e 35 toneladas de látex natural. Com isso, deverá gerar 150 empregos diretos na ponta e 400 empregos nas unidades fabris. "O projeto Poema, além de atender à política ambiental mundial do grupo, de produzir veículos o mais compatíveis com o meio ambiente e recicláveis possíveis, demonstra o compromisso da empresa com o desenvolvimento de ações de caráter social", diz Manfred Straub, diretor de Compras de Material da DaimlerChysler do Brasil. Para José Sinval Vilhena Paiva, diretor executivo da Poematex, a iniciativa concretiza o desafio do Poema: "fazer o caboclo entrar no sistema de produção através dos produtos naturais da Amazônia".
"Isso aqui foi uma parceria, uma idéia da universidade, o Poema e a comunidade de Praia Grande. Daí surgiu a idéia de montar essa fábrica. Para a gente é super importante, pra mim que antes era desempregado não tinha o que fazer. É trabalhar com uma coisa que antes não tinha utilidade, hoje é de super utilidade." afirma Nazareno Tavares, funcionário e sócio da Pronamazom. "A Mercedes Benz simplesmente está no projeto como uma alavancadora, ela faz com que as coisas aconteçam, a minha estadia nesse projeto faz parte desse alavancar. A Mercedes Benz não tem interesse em montar a empresa, a empresa não é Mercedes Benz, a empresa é da comunidade." diz Wilson Moura, Engenheiro de Planejamento de Projetos Mercedes Benz. A Mercedes Benz repassou ao Poema em 1992 um milhão de dólares. Com esse dinheiro o Poema criou um laboratório para estudar fibras, resinas, óleos e investiu em vários projetos em 3 regiões do Pará, uma delas Ponta de Pedras. Na pesquisa tecnológica feita com o coco a participação dos caboclos da Praia Grande foi fundamental. Eles modificaram muita coisa e adaptaram máquinas para agilizar a produção. Essa engrenagem que faz a fibra do coco virar quase uma corda é na verdade um eixo de roda de carro. Idéia de caboclo. Para trabalhar com a casca do coco foram criadas duas fábricas em Ponta de Pedras. A Pronamazon produz 5 mil encostos por mês. São 7 funcionários fixos que ganham um salário de 250 reais. Todo o lucro gerado pela venda dos encostos a Mercedes Benz vai para a comunidade da Praia Grande. É como se todos fossem sócios e empresários.

Anteriormente, a casca de coco era queimada como lixo. Agora, seu uso é uma demonstração de que é possível gerar renda através uso sustentável dos recursos naturais. Os produtos AMAZON GARDEN - POEMATEC, que integram o Programa POEMA - Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia, da Universidade Federal do Pará, provêm de sistemas agroflorestais que recuperam áreas alteradas e aumentm a produtividade dos coqueirais. A cadeia produtiva do coco envolve, na produção, cerca de 5.000 pessoas de 17 comunidades rurais. A extração da fibra se dá em 7 agroindústrias comunitárias no interior do Estado do Pará, que comercializam o produto diretamente no mercado local, para a indústria POEMATEC. A comercialização da linha de jardinagem beneficia as comunidades ruaris e é, hoje, um incentivo para o uso de materiais recicláveis. A utilização do látex vem dando um novo impulso para a produção de borracha, servindo como insumo importante para as peças produzidas.

A empresa Ouro Fértil Fibras Naturais SA, alega ter sido a pioneira na utilização de mantas de fibra de coco para uso em jardinagem no Brasil, inclusive com entrada de pedido de patente PI 97017981no INPI. As mantas de fibra de coco assim como o vaso de fibra de coco o COQUIM foram lançados e inventados pela Sra. Maria Luiza Puzzi Abbud , socia gerente da empresa. Scandar Abudd Neto, sócio da Ouro Fertil explica as negociação da empresa com a Mercedes: "Fomos procurados pela Mercedes Benz do Brasil em 1998 que que terceirizava bancos de automoveis na mesma empresa que faziamos nossos produtos, para uma possivel parceria. Após varias tentativas de associação por parte da Mercedez, e após terem tido acesso a nosso plano de empresa e produtos, colocaram a Poematec para produzir nossos produtos em Belém do Pará, após a nossa empresa ter inclusive aberto uma filial , no local onde hoje funciona a Poematec ltda."

A empresa Ouro Fértil, pioneira na fabricação de produtos a base de fibra de coco no país, possui a maior a mais moderna fabrica de produção nesta área de produtos para jardinagem no país. Sua matéria prima advém de comunidades carentes de catadores de coco, considerado lixo e hoje reciclado devido ao pionerismo de nossa empresa no país. Associada a varias ongs, tais como spvs e wri,luta pela preservação do xaxim na mata atlantica. Seus produtos são: vasos, meio vasos, mantas, placas, estacas, coco disco fibrilas e adubo a base de pó de coco. Os produtos após serem testados revelaram-se biodegradáveis,não deformavel, com ação fungicida e feito tratamento para retirar o excesso de tanino. As mantas podem ser encontradas em várias medidas e densidade, variando de prensadas a mais fofas. Há uma série de utilizações das mantas desde a industria como filtros, paisagismo, até cobertura de encosta anti-erosão e placas de isolamento termo- acustico.

A patente PI9701798 refere-se a um processo para obtenção de produtos em fibras vegetais e não a uma disposição construtiva introduzida em produtos confeccionados com fibras vegetais, uma vez que tal processo é constitupido por moldagem da manta de produtos fegetais, em espedial, a apartir de fibra de coco, as quais são extrapídas do mesocarpo, a parte fibrosa da caca do fruto; processo este que é caracterizado por essas fibras serem submetidas à secagem para diminuição do teor de umidade e, posteriormente, desfibriladas em fragmentos de dimensões uniformes e adequadas para, em seguida, serem ou não selecionadas e confeccionadas em forma de corda, para assumirem um desenvolvimento substancialmente helicoidal, sendo essas fibras aglomeradas e mutuamente coladas em seus pontos d contato com resina de látex natural, ao memso tempo que são adequadamente prensadas, para a obtenção do produto final.

A invenção é dirigida ao aperfeiçoamento de um processo de obtenção de produtos a partir de fibras vegetais. Especificamente a invenção contempla um processo cuja matéria prima é um resíduo da utilização dos frutos do coqueiro, sendo portanto de baixo custo e biodegradabilidade; onde os produtos concebidos pelo referido processo são dotados de alta resistência mecânica, de boa respirabilidade, de baixa inflamabilidade e de resistência a ataques de insetos, principalmente cupins e microrganismos em geral, propiciando assim lenta degradação. Os produtos confeccionados, são constituídos por um conjunto denominado “manta” de fibras vegetais, envolvidas por látex natural, encrespadas de modo substancialmente helicoidal, irregular ou em mantas, mutuamente coladas em seus pontos de contato, sendo conformada e cortada de acordo com o formato final desejado para os produtos.

O processo de moldagem da manta em forma de produtos vegetais, segue três etapas: Os produtos vegetais são confeccionados com fibras vegetais, em especial, a partir de fibras de coco, as quais são extraídas do mesocarpo, parte fibrosa da casca do fruto, submetidas à secagem para a diminuição de teor de umidade, e posteriormente desfibriladas em fragmentos de dimensões uniformes e adequadas. Em seguida, as fibras são ou não selecionadas e confeccionadas em forma de corda para assumirem um desenvolvimento substancialmente helicoidal, dependendo do produto. Depois as fibras são aglomeradas e mutuamente coladas em seus pontos de contato, com resina de látex natural, ao mesmo tempo que são prensadas, para se obter uma manta, com uma densidade adequada ao uso do produto final.

Fonte:
http://www.estadao.com.br/ciencia/banco/noticias/2001/ago/24/131.htm
http://www.tvcultura.com.br/caminhos/08belem/belem2.htm
acesso em junho de 2002
http://www.ufpa.br/poema/
http://www.bolsaamazonia.com/projetos.asp
acesso em setembro de 2002
Agradeço a Scandar Abbud Neto (scandar.abbud@itelefonica.com.br) pelas informações a respeito da empresa Ouro Fértil enviadas em maio de 2005 para composição desta página
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Cabide de bambu

A destinação do bambu como matéria-prima para a geração de trabalho e renda vem sendo utilizada com sucesso há cerca de 15 anos pelo Programa de Desenvolvimento do Ciclo do Bambu no Brasil. Presente em sete estados, o programa beneficia diretamente cinco mil pessoas de baixa-renda e, em decorrência do interesse de setores empresariais e governamentais, deverá ser implantado em outros estados do País, como Amapá. O principal objetivo do programa é a promoção do bem estar físico, social, cultural e econômico e para a reintegração da população excluída ao meio produtivo. Segundo um de seus idealizadores, Lúcio Ventania, o projeto já permitiu o desenvolvimento de produtos premiados, como o cabide de bambu, que Ventania classifica como "o verdadeiro e bom cabide de empregos".
O cabide, feito com matéria-prima 100% biodegradável e compatível com a preservação do meio ambiente, vai estar sendo exposto na Feira de Milã o, no próximo mês. "A idéia é que este e outros produtos desenvolvidos pelas nossas cooperativas possam estar sendo exportados para outros países, principalmente os da Europa, onde o bambu é muito bem aceito", avalia Lucio Bruch, presidente da fundação Zeri Brasuk, uma das entidades que apóiam o Projeto Bambu. Além do cabide, as cooperativas de trabalho, cerca de 50 espalhadas pelos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo e Paraná, também produzem brinquedos educativos, maletas, bolsas, acessórios, ventiladores, jogos e móveis de "baixo custo e altíssima qualidade", informa Bruch. Em Alagoas, por exemplo, onde são produzidos cerca de três mil cabides por mês, os produtos são embalados com papel reciclado, feito do bagaço de cana-de-açúcar. O bagaço está sendo utilizado em razão de acordos firmados com usineiros locais, que disponibilizam a matéria-prima e também algumas ferramentas de trabalho.

Além de setores empresariais, o projeto ganhou também a adesão de outros parceiros, como as prefeituras dos locais onde são desenvolvidas as oficinas e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A exportação dos produtos, de acordo com Ventania, deverá ser feita graças ao apoio do Sebrae. Um outro produto que já foi idealizado, mas ainda não encontrou parceria para ser colocado em prática, é a armação de óculos de bambu. "O produto é lindo, temos certeza que terá grande aceitação no mercado internacional, mas é necessário encontrarmos um parceiro que nos ajude a desenvolver e implantar o projeto", destaca Ventania.

O bambu alcança seu ponto de maturidade de produção aos três anos e quanto mais de colhe, mais se produz, portanto, não é necessário ser replantado. O ciclo de vida das espécimes, que chegam a cinco mil, varia de 60 a 160 anos. "Ele não é exigente em termos de solo, pode se adaptar muito bem a variados climas, tanto os do Sul quanto os do Norte e Nordeste do Brasil. Além disso, há muita abundância dessa matéria-prima no Brasil", explica o idealizador do Projeto Bambu. "É hora de as empresas entenderem que já estamos nos preparando para um grande plano de cultivo, para atender toda a demanda."

Negro, de origem indígena, Ventania passou toda a sua vida no bairro de classe média baixa Padre Eustáquio, noroeste de Belo Horizonte, onde sua mãe, dona Totinha, sempre esteve envolvida com movimentos sociais de ajuda à comunidade pobre. O bambu entrou em sua vida pelas mãos de "mestre Lu", como era conhecido um vizinho descendente de chinês, responsável pelo aprendizado do ofício do então menino Ventania, aos 10 anos. "Ele me contava histórias que, mais tarde, quando me dediquei ao estudo e às pesquisas sobre o bambu, reconheci na literatura do Oriente", lembra o artesão. Ventania e os irmãos cresceram em contato com populações muito carentes, em especial com meninos de rua. E foi justamente entre eles que o artesão deu início a seu projeto de divulgação do bambu não só como uma prática comercial, mas também de integração social. Uma das oficinas mais antigas montadas sob sua orientação é a Vereda, projeto de socialização de meninos de rua lançado há oito anos pela prefeitura de Belo Horizonte. As iniciativas da Bamcrus começaram isoladas, mas atualmente colhem os frutos de parcerias com governos municipais, com entidades empreendedoras como o Sebrae ou com organizações não-governamentais (ONGs), como a Cooperação Brasil-Alemanha, que investe em programas ambientais de cunho social.

Fonte:
http://www.estadao.com.br/ciencia/banco/noticias/2002/mai/10/70.htm
http://www.bhnet.com.br/da/rv_entrevista.htm
acesso em junho de 2002
http://200.252.248.103/sites/revistasebrae/05/temadecapa_04.htm
acesso em dezembro de 2002
http://www.bamcrus.com.br/
acesso em fevereiro de 2005
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