quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Energia renovável é essencial para qualidade de vida

Por Sarah Bueno Motter, para EcoAgência de Notícias Ambientais



“Só não há energia solar em todos os prédios, porque não há consciência”, afirmou Luis Maccarini, na última Terça Ecológica, que ocorreu no dia 4 de setembro. O evento foi realizado pelo NEJ/RS com apoio do Banrisul e abordou a questão da energia fotovoltaica. Para Maccarini, não há mistério, o que existe é falta de conhecimento pelos gestores públicos e pela sociedade dos benefícios e da tecnologia que já existe para aproveitar a energia do sol.

O engenheiro elétrico, durante sua fala, evidenciou a mudança de paradigmas e percepções do mundo. Logo no início, mostrou uma foto de um castelo da Idade Média, que foi construído durante décadas, “naquela época o trabalho era um legado”. A mesma perspectiva precisa ser tomada para se pensar um mundo sustentável, o engenheiro questionou o que as futuras gerações pensarão da nossa, a qual usa combustíveis fósseis indiscriminadamente.

A tecnologia para utilização da radiação solar, como fonte energética, vem sendo desenvolvida desde o início do século XIX. Einstein ganhou prêmio Nobel, em 1921, por descobrir a origem do efeito fotoelétrico, ou seja, o comportamento de “pilha” que materiais semicondutores, como o silício, adotam ao entrar em contato com a radiação luminosa.

Maccarini trouxe dados curiosos, segundo a organização Land Art Generator (
http://landartgenerator.org/), para suprir toda a necessidade energética do planeta, precisar-se-ia de aproximadamente 36000km² de painéis solares, ou seja, uma área um pouco maior que os Países Baixos. Com o combustível produzido por um hectare de cana-de-açúcar, um carro pode dar uma volta ao mundo. Caso essa mesma área fosse coberta de painéis solares, esse carro poderia dar 234 voltas ao mundo, com a energia produzida.

Os biocombustíveis são mais problema que solução, segundo Maccarini, eles não resolvem a questão energética, só agravam a crise. Ainda, nessa perspectiva, afirmou que não se chegaria a 1% da demanda de energia do mundo, caso toda área agriculturável do planeta produzisse biocombustíveis.

A Flor da Permacultura
A perspectiva da permacultura, método criado na década de 70 para manter sistemas humanos de maneira ambientalmente sustentáveis e justos, dá base ao pensamento de Maccarini. Não devemos degradar o ambiente em que vivemos, precisamos cuidá-lo e usá-lo de modo que tenhamos qualidade de vida. As energias renováveis são um pilar desse olhar, que ultrapassa a visão do aqui e agora. Luis Maccarini mostrou que não precisamos nem do Pré-Sal e nem da usina termelétrica em Candiota, a energia do sol é justa e está à disposição de todos.


EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais
 
 
Adapitação:
 
Ricardo Pereira

Um exemplo para a Costa do Dendê

Produtores rurais, engenheiros agrônomos, biólogos, nutricionistas, técnicos, professores, estudantes e consumidores estarão reunidos nos dias 3 e 4 de setembro na Universidade de Caxias do Sul (UCS) para o debate da viabilidade da produção de alimentos sem a aplicação de pesticidas, herbicidas ou fungicidas químicos, bem como a importância da segurança alimentar.

O 4º Encontro Caxiense para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica e Sustentável e 2ª Reunião Sul Brasileira sobre Agricultura Sustentável terão como palco o UCS Teatro, sempre das 8h às 18h. Entre as temáticas previstas, estão o aquecimento global, insumos para a agricultura orgânica, sistema agroecológico de produção animal, biodiversidade e segurança alimentar, vitivinicultura, entre outros assuntos que serão abordados por 23 palestrantes convidados.

“O encontro já é consolidado e reconhecido na região Sul, tendo trazido, em outras edições, importantes nomes no debate dos temas ambientais. Queremos repetir o sucesso das outras edições, voltando o foco para temas que interessam tanto à comunidade acadêmica como à população em geral, que têm sido prejudicada silenciosamente por meio do consumo de produtos carregados de agroquímicos, o que comprovadamente causa danos à saúde e meio ambiente”, comenta a doutora em Biologia e coordenadora do evento, Valdirene Camatti Sartori.

As inscrições devem ser feitas pelo site da UCS, no site, ao custo de R$ 20. Na hora, o valor será de R$ 25. Outras informações pelo telefone (54) 3218.2149, ramal 2663, ou pelo e-mail agriculturaorganica_ucs@yahoo.com.br.

O encontro é uma realização da UCS, por meio do Centro de Ciências Agrárias e Biológicas – Instituto de Biotecnologia – e prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), com o apoio do Centro Ecológico – Assessoria e Formação em Agricultura Ecológica.

Especialistas pedem mais esforços para salvar corais



 
 
Sobrevivência dos ecossistemas mais ricos do oceano depende da ação da
população local e da mudança de comportamento da comunidade internacional.
Um quinto dos recifes de corais do mundo já morreu ou foi destruído.
 
 
Recifes de corais estão entre os mais diversos e valiosos ecossistemas do planeta. Eles abrangem menos de 0,2% do fundo do oceano, mas abrigam um quarto de todas as espécies marinhas. Os recifes também protegem a costa e representam uma fonte essencial de alimento e renda para cerca de 500 milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas os corais estão cada vez mais ameaçados. Um estudo de 2008 da Rede de Monitoramento Mundial de Recifes de Corais constatou que um quinto dos recifes de corais do mundo já morreu ou foi destruído.
No entanto, ainda há esperança. Em Papua Nova Guiné, que abriga cerca de 75% das espécies de corais do mundo e 600 espécies de peixes, grande parte dos recifes ainda está intacta. O país faz parte do chamado Triângulo de Corais, considerado o epicentro da biodiversidade marítima e que inclui também as águas tropicais da Indonésia, Malásia, Filipinas, Timor Leste e Ilhas Salomão. "Os recifes de corais de Papua Nova Guiné ainda se encontram em seu estado original. Portanto, não é tarde para salvá-los", diz o biólogo marinho Noel Wangunu, da Organização Ambiental Conservation International. "Mas é importante protegê-los agora, tornando-os resistentes a influências externas."
Branqueamento dos recifes de corais
Altas temperaturas são o maior fator de risco para os corais. Elas podem ter um impacto significativo sobre o fornecimento de alimentos e a própria existência das vulneráveis comunidades costeiras. Recifes de corais servem de base não somente para a indústria pesqueira, como também para a indústria do turismo. Os efeitos das mudanças climáticas são mais graves nos oceanos do que na terra, mesmo que os impactos sejam menos visíveis. Temperaturas acima da média afetam os recifes ao redor do mundo.
"Com as mudanças climáticas, os oceanos ficam mais ácidos e a temperatura de suas superfícies aumenta, o que resulta no branqueamento dos corais", diz Wangunu. Entretanto, a economia local representa um problema ainda maior. O desenvolvimento da região costeira, o desmatamento e o turismo sem controle contribuem para a destruição dos corais. "A pesca excessiva é uma ameaça significativa para o sistema de corais do Pacifico", afirma Nicola Barnard, diretora da International Reef Action Network (Rede de Ação Internacional de Recifes de Corais, em português).
"A poluição das bacias hidrográficas – em grande parte como consequência do desmatamento, da erosão e da mineração – também afeta a região. Sedimentos e resíduos são lançados no mar, danificando os corais próximos à costa. Além disso, a urbanização leva à destruição dos manguezais. Lixo e esgoto também são um problema", aponta Barnard.

Fonte:
 
http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRVVONlYHZERT1GdXJFbKVVVB1TP

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Origem e Desenvolvimento do Ecoturismo no Brasil

Um grande impulsionador do turismo ecológico no mundo, foi sem dúvida os documentários em vídeo sobre viagens, que apresentavam a natureza como cenário principal, populares nos finais da década de 70.O Ecoturismo teve o crescimento da atividade acentuado, no final dos anos 80 e início 90. O ecoturismo foi introduzido no Brasil no final dos anos 80, seguindo a tendência internacional. Já em 1989 foram autorizados pela Embratur os primeiros cursos de guia desse tipo de turismo. Em 1992, com a Rio 92, o termo ecoturismo ganhou maior visibilidade, agradou de vez o brasileiro e impulsionou um mercado promissor, que desde então não pára de crescer. Aos poucos, órgãos e instituições ligados ao setor também foram sendo criados.

Fundado em 1995, o Instituto de Ecoturismo do Brasil - IEB, surge no contexto nacional com o objetivo de organizar e unificar toda a cadeia ecoturística que compreende desde empresários, operadoras e agências de viagem, meios de hospedagem, entidades ambientalistas, entre outras pessoas ligadas a área. Uma de suas prioridades é incentivar o ecoturismo através da elaboração de um código de ética visando certificar o profissional do setor.

O Ecoturismo é uma atividade que busca valorizar as premissas ambientais, sociais, culturais e econômicas conhecidas de todos nós, e inclui a interpretação ambiental como um fator importante durante a experiência turística.Os roteiros são elaborados através das Agências Operadoras, ou outras formas desenvolvidas pelo marketing, onde os consumidores irão desfrutar dos serviços de hotelaria, gastronomia, condutores, transportes, equipamentos, etc.Utilizarão ainda, a infra-estrutura básica da região (hospitais, farmácias, saneamento, coleta de lixo, posto de saúde, telefonia, etc.) adequada e ecologicamente corretas.

Como uma indústria, esta atividade é composta de vários sócios proprietários, presidente, diretores, setores, operadores,etc. Os sócios são compostos pela sociedade civil, governo e instituições não governamentais. Neste caso, os sócios dividem a presidência, mantendo a interligação de informações automatizadas e de acesso aos outros sócios quando necessários independentes de presença ou não.

Cada gerente cuidará de um segmento da indústria e o gerente geral (Gestor Administrativo Ambiental), será responsável pela preservação do meio ambiente. É o sujeito que irá monitorar as atividades ambientais, gerenciar e fiscalizar o fiel cumprimento das leis e atividades produzidas pela grande indústria. No entanto cada sócio, deterá um estrutura organizacional competente e treinada, com capacitações periódicas para aperfeiçoamento do seu corpo técnico, aumentando o diferencial da produção.

A Prefeitura, como sócia , cabe a infra-estrutura urbana e rural através de suas Secretarias Municipais, tendo como umas prioridades do município controle do saneamento e destinação de resíduos, por tratar-se do cartão de visitas ao município, pois, um município sem saneamento e destinação de resíduos afugentam os consumidores, que proverão o desenvolvimento sustentável da região, além de interferir diretamente na qualidade de vida.

A sociedade civil, cabe a consciência e a responsabilidade de conservar o meio ambiente urbano, rural e ambiental, considerando que o produto está agregado a preservação e conservação, para atrair os turistas , garantindo essa fonte de riquezas.

Se o ecoturismo no Brasil encontra-se em um estágio de desenvolvimento recente, este é o momento para incentivarmos a introdução de uma política de âmbito nacional para o setor . Tal política deve orientar governos e legislativos para a implantação de suas estratégias de regulamentação e controle, assim como orientar agências de fomento para criar e facilitar o acesso a incentivos fiscais e financiamentos. Ressaltando-se, a importância do estímulo a qualificação profissional, a capacitação e aquisição de tecnologias apropriadas, a serem viabilizadas pelo empresariado . Existem empreendedores querendo investir, de forma séria, em ecoturismo com bons projetos, como aqueles , proprietários de área natural que transformam sua terra em RPPN, ficando obrigado, de forma perpétua, a conservar a propriedade.

Por isto é preciso implantar projetos bem embasados , dentro de uma política nacional integrada que aproxime o desenvolvimento do ecoturismo aos objetivos de sustentabilidade social, econômica e ambiental.A falta de uma política nacional clara para o desenvolvimento do setor, aliada à forma desorganizada e, muitas vezes, irresponsável com que as pessoas tem praticado o ecoturismo, têm motivado uma série de preocupações aos governos locais, às organizações ambientalistas e às comunidades anfitriãs.

Para falar de meio ambiente com as crianças

Despertar o prazer pela leitura e, ao mesmo tempo, passar uma mensagem positiva sobre a natureza, também com prazer. Isso é possível? Para o músico Tino Freitas, do projeto Roedores de Livros, com certeza...
Escrevi sobre o trabalho voluntário do Tino e mais seis "roedores de livros" em Ceilândia (DF) para um especial de leitura da revista Nova Escola. Postei aqui no blog um pouco sobre seu trabalho de contar histórias, ensinar música e arte... e pedi a eles dicas de leitura que tenham a ver com meio ambiente. Olha só o que o Tino nos mandou:

"Dia desses recebemos o convite da Débora Menezes, que cuida com muito carinho do blog Educom Verde, para escrevermos sobre Literatura Infantil, convidando os educadores ambientais a promover a educação ambiental por meio da leitura. Vale à pena explicar que o nosso projeto, o Roedores de Livros, oferece a um grupo de crianças no entorno de Brasília o contato com os livros. Acreditamos que o contato com a Literatura Infantil é uma importante ferramenta não só para estimular a fantasia - e com isso a criatividade – mas também para formarmos cidadãos com um melhor preparo para enfrentar o mundo real.

No projeto
Roedores de Livros não temos uma preocupação didática e a “moral da história” fica a cargo de cada leitor/ouvinte. Mas não pense que no campo da fantasia não existem livros que falem sobre educação ambiental. Por isso, escolhemos três histórias que gostamos muito e convidamos a todos, professores ou não, a descobrir o que estes livros podem oferecer, além de um mundo fantástico. Leiam para si, para seus filhos, para seus alunos. Compartilhem o que a Literatura Infantil pode oferecer de melhor para um adulto: a oportunidade de dividir seu tempo com uma criança.

Veja – e leia – as dicas!
Rosalina, A Pesquisadora de Homens
(Texto e fotos de Bia Hetzel, Ilustrações de Graça Lima, Editora Manati)

É um clássico. Mistura realidade e ficção sem ser enfadonho, cansativo. A personagem que dá título ao livro é uma baleia-jubarte que fala sobre a sua espécime e as atitudes do homem para com as baleias. Há momentos de extrema criatividade como quando Rosalina descreve seu primeiro encontro com os homens: “eles eram esquisitos, com quatro nadadeiras, como uma tartaruga sem casco”. No meio do livro, um fato real: o encalhe de uma baleia-jubarte no litoral do Rio de Janeiro em 1991.

É claro que nesta relação homem x baleias não podiam faltar arpões e vazamentos de petróleo no mar, porém Bia Hetzel deixa espaço para ações de preservação citando o trabalho do
Instituto Baleia Jubarte. Parece incrível que uma história possa ficar boa com tanta informação, não é, mesmo? Mas Rosalina, a pesquisadora de homens consegue informar sem didatismo, numa história que encanta o leitor. O projeto gráfico também é primoroso. Mistura fotos da autora com ilustrações da premiadíssima Graça Lima.

Em determinado momento, foto e ilustração se combinam numa mesma página. Lindo de se ver. No fim do livro, depois de contar a história, a autora dedica duas páginas para falar sobre Rosalina, a verdadeira, lixo flutuante e baleias-jubarte. Este livro também recebeu o selo “Altamente Recomendável para Crianças” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).
Tem um cabelo na minha terra
(texto e ilustrações de Gary Larson, Cia das Letrinhas)

É, antes de tudo, um livro muito engraçado. Uma família de minhocas (pai, mãe e filho) jantam em casa quando o pequeno minhoco encontra um cabelo na terra que comia. Ele acha tudo aquilo o fim da picada: “Estamos debaixo de todo o mundo! Somos o último escalão da cadeia alimentar! Comida de passarinho! Isca para pescaria! Que vida é essa, me digam! Nunca saímos para nadar, para acampar, para uma caminhada, nada! (...) E além do mais, eu já ia esquecendo, comemos terra! Terra no café da manhã, terra no almoço, terra no jantar! Terra, terra, terra! E agora, ainda por cima, vejam só! Aparece um cabelo na minha terra! O insulto final – não agüento mais! Detesto ser minhoca!”.

Papai minhoco resolve, então, contar a história de Benedita, uma linda donzela que vivia numa floresta e que se encantava com a magia da natureza. Durante um passeio, a tal Benedita vai se encantando com a natureza ao redor, enquanto o senhor minhoco, narra todos os equívocos daquele encanto superficial, oferecendo ao leitor um choque de realidade. Tudo com muito humor. No final, o pequeno minhoco percebe que amar a natureza não é o mesmo que entender a natureza. Que o mundo natural é feito de conexões e que as minhocas também tinham sua importância para o bom funcionamento do todo. As ilustrações também trazem o bom humor do texto. Por exemplo, na sala de jantar das minhocas, a terra está servida em pratos, acompanhados de talheres. Gary Larson conta uma história divertida, inusitada que oferece caminhos para ensinar ao leitor sobre preservação do meio ambiente.
A árvore generosa
(Texto e ilustrações de Shel Silverstein, Cosac & Naify)

Carrega consigo o encanto das histórias eternas. Depois que a gente lê, quase sem querer, a guardamos na memória, na gaveta onde estão Chapeuzinho Vermelho e o Patinho Feio. Simples e belo. Encantador. Acompanha a relação de amizade entre uma árvore e um homem desde a sua infância, passando por sua juventude até a velhice. Sendo a árvore um símbolo da Natureza, e o personagem-homem comparado a todos nós, fica óbvia a relação em que para tudo usamos da natureza que gentilmente nos oferece diversão, casa, trabalho e descanso, sem exigir nada em troca.

O livro não fala das conseqüências desta amizade, pois o mais importante ali é mostrar a generosidade da árvore-natureza. Mas alerta, nas entrelinhas, para que nós saibamos desfrutar da vida com mais responsabilidade, afinal, somos filhos queridos da mãe-natureza. Somos?!"
 
Fonte:
 
 

Planejamento para educação ambiental

Como ampliar o diálogo entre comunidades e instituições que tratam de questões socioambientais? Como aumentar a capacidade de expressão de comunidades e contribuir para que acessem cada vez mais informações que realmente façam a diferença pra elas? Como criar produtos midiáticos participativos? Como criar materiais didáticos e páradidáticos que abordam meio ambiente? Como ajudar ongs e seus projetos a pensar a comunicação além da assessoria de imprensa?

São desafios que a Educom Verde e sua rede de pessoas e coletivos propõe para unir educação e comunicação pela sustentabilidade.

Esses desafios estão presentes nas seguintes propostas de consultoria (do planejamento a execução):

Comunicação participativa para ongs e projetos
Diagnóstico e planejamento de comunicação para organizações e projetos socioambientais. A partir desse diagnóstico coletivo, nasce o planejamento com foco em educação ambiental e mobilização social, e em estratégias de divulgação e acesso a informação direcionada para as comunidades envolvidas. Produção de materiais de comunicação de acordo com o foco e a necessidade, incluindo propostas de ferramentas virtuais.


Planos de comunicação social e educação ambiental para obras
Elaboração de planos para licenças de operação e implantação, com indicativo de ações integradas a programas exigidos pelos órgãos fiscalizadores e foco no diálogo entre comunidades e empreendedor. Realização de diagnósticos socioambientais com equipe parceira de profissionais especializados (sociologia, antropologia, economia, educação ambiental). Adequação e monitoramento de programas.

Educação ambiental e comunicação em unidades de conservação
Diagnóstico e planejamento de comunicação focado na gestão participativa de ucs. Proposição de propostas de projetos temáticos para a abertura de canais de diálogo entre comunidades do entorno e ucs. Metodologia de produção colaborativa de materiais educativos, para serem construídos com a participação das comunidades no entorno nos processos de construção de planos de manejo, mobilização de conselhos, entre outros.


Eventos de educação ambiental
Organização de encontros, trilhas sensitivas-educativas e programação in company para empresas e eventos voltados para a temática da sustentabilidade.


Projetos e oficinas de educomunicação
Planejamento e ações que utilizam metodologias de educomunicação - comunicação comunitária para projetos de educação ambiental e mobilização social. Formação e equipe já capacitada de oficineiros com diversas aptidões midiáticas (sofware livre, video, rádio, impressos) e experiência junto a comunidades tradicionais.

Meio ambiente e novas tecnologias
Planejamento de mídias sociais virtuais para redes onde a reflexão sobre meio ambiente é o foco, bem como o trabalho colaborativo temático - acompanhamento de grupos de trabalho que precisam produzir materiais e planejamento com temática socioambiental a distância.

Materiais educativos e planos de aula
Planejamento e elaboração de cartilhas, planos de aula, cadernos metodológicos e outros materiais com objetivos sobre temas sócioambientais, em linguagem adequada e projetos gráficos inovadores, que "dialogam" com usuários não habitados a leitura. Criação de materiais específicos para o público empresarial. Apoio na orientação a professores/escolas para utilizar temas socioambientais em seus projetos político-pedagógicos.

Livros-reportagem com relatos de atividades
Planejamento, pesquisa e produção para a documentação de atividades de campo de projetos e programas, com a finalização de relatório na forma de livro-reportagem. Equipe especializada em design, fotografia, impressão e cadeia sustentável de produção - cada publicação é planejada de forma a ter seus impactos reduzidos durante a produção e lançamento.

Ministério do Meio Ambiente oferece financiamento para projetos de fortalecimento e capacitação para a produção sustentável, gestão ambiental territorial e promoção e aprimoramento econômico do setor agroextrativista

 


O Programa de Apoio ao Agroextrativismo e aos Povos e Comunidades Tradicionais do Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou edital, no valor de R$ 500 mil, para financiamentos de projetos de fortalecimento e capacitação para a produção sustentável, gestão ambiental territorial e promoção e aprimoramento econômico do setor agroextrativista. Serão destinados até R$ 50 mil para projetos regionais e R$ 100 mil a nível nacional, a serem executados no prazo de seis meses.

O edital está estruturado em três bases temáticas: iniciativas de capacitação em produção sustentável, agroecologia e agrobiodiversidade, geração de renda e gestão ambiental do território para agricultores familiares, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais; cadeias produtivas, mercados e iniciativas associadas ao agroextrativismo, à sociobiodiversidade e à agrobiodiversidade; políticas públicas de sustentabilidade sócio-econômica e ambiental para o agroextrativismo, agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais e povos indígenas.

O recebimento de propostas será por meio de demanda espontânea até o encerramento dos recursos ou a critério do Departamento de Extrativismo do Ministério do Meio Ambiente. Podem enviar projetos ONGs, movimentos sociais e organizações comunitárias com atuação na área ambiental, socioambiental e de desenvolvimento. Para saber mais, clique aqui.

FONTE: Texto de Carlos Américo, da SEDR.

Nas plantações para produção de papel da Bahia, Brasil

Crédito: Leo Broers

25 de agosto de 2010 (MO) – Mundialmente, ONGs, prefeituras e empresas gráficas começam a usar papel certificado pelo FSC. Para o consumidor comum existem agora, além de papel para xérox e impressão, também lenços de papel e até mesmo papel de parede com o logomarca do FSC. Com o objetivo de investigar se a imagem verde de todo este papel se justifica, MO* foi fazer uma investigação no estado brasileiro da Bahia.

Os atores principais
  • FSC - O Conselho de Manejo Florestal foi criado em 1993 para proteger as florestas no mundo. Já certificaram 135 milhões de hectares em mais de 80 países. Tal sucesso o FSC deve a sua estrutura única: empresas, organizações sociais e movimentos ambientais tomam todas as decisões importantes juntos. A certificação é realizada a partir de dez princípios com seus respectivos critérios.
  • SGS Qualifor Certificadora que a pedido do FSC estuda e avalia pedidos de certificação e que aprova ou reprova esses pedidos.
  • Veracel Empresa de celulose para papel, parceria entre a Sueco-finlandesa Stora-Enso e a empresa brasileira Fibria. Veracel maneja 96.000 hectares de eucalipto que garante uma produção anual de 1 milhão de toneladas de celulose (componente de madeira). Da celulose é feito papel sanitário, lenços de papel e revistas de papel reluzente. 98% é destinada para exportação. A chegada da Veracel foi anunciada como um projeto que criaria empregos e que desenvolveria a região. Por isso, a empresa pude contar com empréstimos com boas condições do Banco brasileiro de desenvolvimento (BNDES) e do Banco Europeu de Investimentos (EIB), que juntos financiaram quase a metade dos US$ 1.25 bilhões em investimentos. Atualmente, os 96 mil hectares empregam 2.600 pessoas. Significa mais ou menos um emprego em cada 37 hectares. A região era conhecida pela cultura de mamão. Essa cultura conseguia criar 1 emprego por hectare. Para a cultura do café vale uma relação de 1 emprego em cada 3 hectares.
  • ASI Empresa que a pedido do FSC inspeciona certificadoras como a SGS Qualifor.
  • CEPEDES ONG local e centro de pesquisa no Sul da Bahia, focado na expansão do eucalipto e a proteção da mata atlântica na região.
  • IBAMA Agencia Federal do Meio Ambiente.
De forma rítmica, uma fileira infinita de árvores passa por nosso vidro de carro. No Extremo Sul da Bahia, as plantações de eucalipto nunca ficam longe. Em alguns lugares observamos restos da Mata Atlântica, a selva exuberante que antigamente cobria toda a região e da qual sobre apenas 4%. As empresas madeireiras e as serrarias tiveram tempos dourados por aqui. Depois da devastação, a região recebeu um novo impulso: eucalipto, o novo ouro verde. As plantações por onde passamos são todas da Veracel.

David Fernandes, o responsável para silvicultura da Veracel, nos guia sobre as estradas de chão no meio de um labirinto gigante de plantações de eucalipto. O carro pára em cima de um morro com vista ao orgulho da empresa: a paisagem em mosaico. Fernandes conta com entusiasmo sobre a harmonia entre o eucalipto nos tabuleiros mais altos e os trechos de mata atlântica nos morros íngremes e ao longo dos rios. ‘Veracel ocupa cerca de 200.000 hectares de terras. A metade disso é para a exploração do eucalipto, a outra metade para proteger a mata atlântica. O contato entre ambos é muito enriquecedor. É importante para a saúde do eucalipto, e para os animais a mata atlântica forma um corredor ideal para se deslocar.’

Um pouco mais na frente o verde fechado muda de forma abrupta numa planície árida onde recentemente toda a vegetação foi cortada. Mas aí de repente a paisagem segue com um trecho por onde novas árvores de eucalipto começam a crescer para um novo ciclo de produção. Seguimos entre dois montes enormes de arvores cortadas. Máquinas grandes, que parecem com feras pré-históricas mecanizadas, cortam arvores grandes num ritmo alucinante. Em menos de 25 segundos, uma árvore é cortada, é feito o desbaste, a mesma é cortada em cinco pedaços e pilhada.

Fernandes: ‘Por hectare plantamos 833 árvores. Em sete anos elas atingem uma altura de trinta metros e estão prontas para a colheita.’ O clima na Bahia ajuda para obter a produtividade mais alta do mundo. ‘Apenas durante o primeiro ano pulverizamos por hectare nove litros de glisofato. É uma herbicida da Monsanto, mais conhecido como Round Up. É um produto perfeitamente seguro sem nenhum problema.’

Também segundo o FSC, a aplicação desta herbicida não é incompatível com a sustentabilidade. O que o David Fernandes não conta é que a Veracel ‘usa quantidades muito grandes de um produto químico que consta da lista de produtos proibidos pelo FSC’, segundo um relatório de inspeção da ASI sobre a certificação da Veracel. A empresa pulveriza as plantações que estão sendo atacadas por infestações de formigas com Sulfluramide. Para essa aplicação, a empresa pediu uma exceção do FSC, e conseguiu essa medida(autorização) em 2008.

O uso de produtos químicos pela Veracel deveria também ser controlado pelo IBAMA, a agência ambiental federal. Em lugares destinados para a regeneração da mata atlântica a empresa tinha usado herbicidas e por isso um grande número de árvores nativas foram destruídas. Por isso, a Veracel foi multada em R$ 400.000 (160 mil euros). Além disso, a empresa foi multada várias vezes por desmatamento, pela falta de recuperação da mata atlântica e pelo plantio de eucalipto próximo aos parques nacionais, práticas não permitidas pela lei.

‘Veracel sempre entra com recurso em Brasília’, diz Cleide Guirro, o chefe do IBAMA em Eunápolis, o município onde as plantações constam. A agência não consegue dar conta de fiscalizar todas as queixas contra a Veracel. ‘Temos seis fiscais para uma região quatro vezes o tamanho da Bélgica. E eucalipto é apenas um dos problemas que temos que dar conta’.

Papel ilegal

A primeira exigência para conseguir o certificado do FSC é que a empresa respeite as leis do país. Segundo a SGS Qualifor a Veracel atende a este principio, mas João Alves da Silva, promotor em Eunápolis, não concorda. ‘Veracel viola as leis trabalhistas, a legislação ambiental e a legislação criminal’, diz ele. A Justiça do Trabalho em Eunápolis contou nos últimos anos mais de 850 ações contra a Veracel e seus terceirizadas.

Alves da Silva pega uma pilha de dossiês. ‘O Ministério Público tem provas de crimes ambientais, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e corrupção. Temos um depoimento de um vereador que foi comprado pelo Veracel para convencer seus colegas aprovar leis favoráveis’.

Em 2008, a Veracel foi condenado pela justiça federal por desmatamento da Mata Atlântica, resultando numa multa de vinte milhões de reais (oito milhões de euros). Durante a análise do processo ficou claro que a Veracel não tinha um relatório de impactos ambientais válido para suas plantações de eucalipto. Por isso, o juiz declarou ilegais as licenças de 96.000 hectares de plantações.

‘O consumidor que compra a celulose da Veracel tem que ter consciência de que ele compra um produto ilegal e que o selo de sustentabilidade não é compatível com a realidade’, alerta João Alves da Silva. Veracel entrou com recurso e trabalho neste meio tempo no relatório de impactos ambientais exigido. ‘Não queremos nos meter no processo judicial’, reage Rosemary Vianna da SGS Qualifor. ‘Enquanto não há uma decisão definitiva do Juiz, monitoramos este caso nas nossas auditorias’. A primeira queixa foi ajuizada há já 17 anos.

Segundo o promotor existe uma mistura de interesses. ‘O certificador é pago pela empresa que é certificada. Esta relação de dependência resulta num grande problema. SGS camufla as violações da Veracel. Vou informar ao FSC que ele está sendo abusado pela SGS e pela Veracel. Aí eu quero ver se eles assumem sua responsabilidade’.

Protesto indígena

O terceiro dos dez princípios aos quais as empresas têm que atender para conseguir o certificado do FSC é o respeito aos direitos dos povos indígenas. Eliana Anjos, responsável de sustentabilidade da Veracel nos assegura que Veracel mantém uma relação excelente com as comunidades indígenas na região. Biribiri, uma liderança da comunidade indígena Pataxó de Coroa Vermelha confirma isso com vontade.

‘O governo nos esquece, mas felizmente a Veracel patrocina nossos projetos de educação e de saúde.’ A aldeia indígena é localizada exatamente no coração turístico da Bahia, onde os portugueses chegaram no Brasil. Entretanto Coroa Vermelho se tornou uma atração turística em si e a reserva de Jaqueira está aberta para visitas guiadas para turistas.

No entanto, Coroa Vermelho é mais uma exceção do que uma regra. Na região onde se localiza o eucalipto da Veracel apenas quatro das 19 comunidades Pataxó e Tupinambá têm um território próprio. Os habitantes de Guaxuma, uma aldeia indígena na beira da BR-101, aguardam há mais de 10 anos pela regularização do seu território. O território que eles reivindicam alcança uma área além das plantações que se aproximam cada vez mais. Há alguns anos que já estão totalmente cercados por eucalipto. Kuhupyxa – podemos chamar ele também de Antônio- conta que dez anos atrás sua comunidade ainda caçava na mata onde hoje tem eucalipto.

‘Eles têm desmatado dia e noite e com grandes tratores destruíram tudo. Mas infelizmente não temos provas disso.’ Ele nos leva a uma cerca perto de sua casa. ‘Até aqui a Veracel queria plantar eucalipto. A menos de dez metros da minha porta. Eles começaram a pulverizar tudo com veneno enquanto as crianças estavam brincando fora de casa. Aí nos afugentamos eles com arco e flecha. Eles não têm um mínimo de respeito por nos’.

Takwahy, o filho de Kuhupyxa, é pai de dois filhos. Seu sorriso esconde muita impotência. ‘Os rios e nascentes por aqui secaram todos, porque o eucalipto necessita muita água. E quando chove, o veneno que é usado nas plantações percorre para os rios – a água que bebemos e onde tomamos banho. Há dois anos que temos um reservatório de água na aldeia porque não confiamos na água do rio.’ A SGS Qualifor estava informada sobre a queixa de Guaxuma, mas ninguém foi fazer uma visita. ‘Considerando os produtos que estão sendo usados e as dosagens, contaminação da água é muito improvável’, classifica o relatório da SGS o caso.

Enganar as pessoas

O centro de pesquisas CEPEDES em Eunápolis tem filmagens em que a Veracel, na época – anos 90 - ainda chamada de Veracruz , desmata mata atlântica com trator e correntão. Para eles está mais do que claro que a empresa não merece o certificado do FSC. ‘Junto com quarenta outras ONGs, sindicatos, movimentos ambientalistas e comunidades indígenas, mandamos uma carta para informar o FSC sobre os impactos negativos da Veracel’, diz Ivonete Gonçalves do CEPEDES.

Uma condição fundamental para ser reconhecida como plantação sustentável é que esse tipo de plantação não pode estar localizada em lugares onde recentemente tinham ainda florestas ou matas nativas. ‘Se um pedaço de floresta tropical depois de 1994 – quando os princípios do FSC já eram conhecidos - foi transformado numa plantação, aquele lugar nunca pode receber o certificado FSC’, afirma Bart Holvloet, diretor do FSC-Bélgica.

Mesmo assim, lemos nos relatórios de auditoria da SGS Qualifor que a Veracel desmatou depois de 1994 e plantou eucalipto nesses lugares. ‘Mas essa transformação ocorreu antes que estava se falando de certificação’, reage Rosemary Vianna da SGS Qualifor. ‘E, além disso, o eucalipto já foi cortado e a recuperação ambiental já iniciada. Então não vejo porque ainda colocar em cheque o certificado’.

Em função de que nas primeiras auditorias para o processo de certificação da Veracel alguns interessados importantes não foram consultados, uma nova onda de crítica foi gerada. Esta vez contra a empresa certificadora SGS Qualifor. FSC organizou uma auditoria extra e mandou uma equipe da ASI para a região, uma empresa que inspeciona para o FSC o trabalho das certificadoras. A visita incluiria uma conversa com CEPEDES. ‘Estavamos bastante otimistas’, diz o membro Winfridus Overbeek, que pensava que a ASI ainda ia levar a sério as queixas. ‘Mas duas semanas antes da reunião, soubemos que o caso já foi decidido. Veracel tinha recebido o certificado.’

Em função disso, a reunião marcada perdeu sentido, opinou a organização. CEPEDES já teve experiência com dois outros processos de certificação controvertidos na região e agora não acredita mais no certificado. Ivonete Gonçalves é claro: ‘Este certificado serve para enganar pessoas no Norte. O certificado do FSC existe apenas no papel, mas não na prática’.

Num relatório contundente a equipe de inspeção da ASI acaba com o trabalho da SGS Qualifor. A SGS Qualifor seguiu insuficientemente os critérios do FSC, não dedicou tempo suficiente para uma auditoria profunda e, além disso, se contentou muitas vezes com os documentos cheios de números e os estudos da Veracel sem verificar os mesmos em campo. Segundo o relatório, a ASI não teria dado o certificado. Mas o papel da ASI é limitado à inspeção da certificadora. Retirar o selo apenas a SGS Qualifor pode fazer.

Ninguém come eucalipto

Num dia chuvoso encontramos um grupo de homens e mulheres do MLT, um movimento menor de camponeses sem terra que cortam com facão pequenas árvores de eucalipto. Rose Lemos vem ao nosso encontro: ‘Esta terra é terra devoluta, é de propriedade do Estado e deve ser destinado primeiramente para reforma agrária. A Veracel não tem o direito de plantar aqui’, ela diz.

Organizações sociais afirmam que a Veracel plantou cerca de 30.000 hectares de terras devolutas com eucalipto. O MLT espera por uma decisão judicial sobre este pedaço de terra devoluta: ‘Queremos produzir aqui novamente alimentos, porque o povo não come eucalipto. Esta região é capaz de exportar comida em vez de ter que importar isso’. Mais na frente o MLT já plantou mandioca, feijão, milho, abóbora e outras culturas. As 65 famílias que vivem debaixo da lona sonham em abastecer a cidade, porque agora quase toda a comida vem de outros estados.

Na visão da Veracel, as ações dos movimentos de camponeses sem terra são brincadeiras de vândalos, que desde 2009 já causaram cinco milhões de reais (dois milhões de euros) de prejuízos. ‘Muitos se juntam a estes movimentos porque querem ter a propriedade da terra, o que não significa que querem trabalhar na terra’, diz Sergio Alipio, Presidente da Veracel. ‘Esta região é destinada para produzir biomassa, como o eucalipto. Aqui não há tradição de agricultura familiar.’ É assim que ele define a questão dos agricultores sem terra.

Idalberto José lima não concorda. Ele vive na beira da BR-101, numa barraquinha frágil. Numa terra do tamanho de um lenço, ele planta mandioca, ‘para sobreviver’, ele diz, encostando na enxada. O trafico intenso de caminhões quase impossibilita uma conversa. ‘A Veracel comprou todas as terras agricultáveis, não sobra nada’. Mas ele não se queixa, porque ‘muita gente está numa situação pior do que eu. Eles procuram serviço na área rural, mas não há mais nada porque só há eucalipto’.

Muitos camponeses venderam suas terras para Veracel. ‘Onde antigamente tinham fazendas produtivas (plantações de café), hoje só sobra eucalipto. Pessoas que viviam na área rural, mudaram para a cidade’, diz Roberto Conceição Santana, chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE em Eunápolis. A Veracel contesta com dados próprios: ‘No momento da compra, 1197 pessoas trabalhavam num total de 212.649 hectares de terras que compramos’, diz Débora Jorge, responsável de comunicação da Veracel.

A cidade de Eunápolis conta agora com 85.000 habitantes. Há bastantes novas lojas movimentados no comércio que devem seu sucesso à presença da Veracel, mas também o trafico de drogas aumentou. Aqui andam a noite meninos com pouco mais de doze anos armados pela cidade, em busca de um celular ou alguma outra garantia valiosa. Na beira de uma favela, Roberto Joaquina dos Santos, habitante da periferia da cidade, conta como tudo mudou: ‘As pessoas que se mudaram para cá conheciam apenas a cultura de semear e colher. Eles não estavam preparados para a vida na cidade. As favelas cresceram e trouxeram o crack e muita violência para a cidade.’

Sustentabilidade sem fronteiras?

Se os acionistas derem sinal verde, Veracel aumentará sua produção de celulose de 1 milhão de toneladas para 2,7 milhões de toneladas. Para isso ela precisa de mais 92.000 hectares de eucalipto. Os pedidos de licença ambiental já foram feitos. Segundo ASI, a Veracel nem de longe está pronto para conseguir o certificado FSC para esta ampliação. Mas é a SGS Qualifor que terá a última palavra. De qualquer forma, o presidente Sergio Alipio é otimista: ‘Se continuarmos a atender a todos os princípios e critérios do FSC como atendemos até hoje, é algo normal que as plantações novas serão certificadas’.

Conflitos sociais e ecológicos, a questão indígena, problemas com a segurança alimentar, o êxodo rural e a redução de terras agricultáveis serão agravados com a expansão do eucalipto, escreve IMA, o Instituto de Meio Ambiente da Bahia, num relatório do final de 2008. Aliás, o IMA espera que os conflitos aumentarão ainda mais com a chegada da BahiaBio, um projeto que em mais 300.000 hectares plantará cana-de-açucar e em 64.000 hectares Palma Africana para a produção de biocombustíveis na região. ‘Há uma necessidade urgente para uma visão integrada’, conclui o relatório governamental.

“Plantações sustentáveis” sob crítica verde

O fato que plantações de árvores em larga escala recebem o certificado FSC, não só causa controversas no Brasil. Há anos que ONGs como Timberwatch Coalition (Africa do Sul), a Rede Alerta contra o Deserto Verde, o FSC-Watch e o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicas (WRM) pressionam – sem sucesso – o FSC para parar de certificar monoculturas em larga escala. Wally Menny da Timberwatch Coalition fala a partir do contexto Sulafricano. Lá, 80% das plantações industriais de árvores tem o certificado FSC.

‘Plantações de espécies de árvores de rápido crescimento aumentam a pressão sobre a vegetação nativa e terras agricultáveis de grande valor. Elas causam desastres sociais e desestruturam economias locais. O FSC deve entender que plantações industriais de árvores em larga escala não podem ser certificadas em nenhuma hipótese como manejo florestal responsável.’

A maior parte das queixas contra o FSC vem de países onde as plantações de árvores crescem rapidamente como Brasil, Equador, Tailândia e África do Sul. Bart Holvloet, o diretor do FSC-Bélgica, denomina estes problemas como problemas típicos para uma experiência iniciante e em crescimento.

Holvloet: ‘Plantações se tornarão apenas mais importantes para nosso fornecimento de fibras. Neste momento, elas já representam metade do nosso consumo de madeira e papel, mesmo se futuramente talvez menos plantações sejam candidatas para o certificado FSC se os problemas continuem persistindo.’ No entanto, os críticos acham que certificar plantações de árvores é fundamentalmente inconciliável com os nove outros princípios de manejo florestal sustentável que o FSC proclama.

Organizações alemãs e suecas deixam o FSC

As críticas aumentam cada vez mais também de organizações ambientais que são filiadas ao FSC. No ano passado a organização alemã Robin Wood deixou o FSC depois de 12 anos de filiação ao FSC Internacional. ‘Não queremos mais ser co-responsável pelo fato que as monoculturas industriais recebam um selo verde graças ao FSC’, declara Peter Gerhardt de Robin Wood. Gerhardt aponta, dentre outros, para o uso de pesticidas e fertilizantes químicos em plantações certificadas pelo FSC.

Também Jutta Kill de Fern, uma ONG que é membro do FSC desde 1995, está insatisfeita. ‘Há muito tempo que esperamos por mudança, mas não vemos nenhum resultado. A situação é tão grave que nosso apoio ao FSC está sendo questionado por nossos parceiros no Sul. Demasiadamente, empresas erradas abusam do selo verde do FSC para enfraquecer o protesto local. Em relação a papel, o FSC dificilmente pode garantir o que prometa.’

Os problemas não se restringem às plantações industriais de árvores e tampouco às áreas periféricas sem leis no Terceiro Mundo. No relatório ‘Cuttin the Edge’ a SSNC, a maior organização ambiental da Suécia que há 15 anos estava junto no início do selo FSC, questiona a situação alarmante das florestas árticas na Suécia. Segundo a organização, as três maiores empresas que manejam florestas na Suécia ameaçam o futuro das florestas e sua biodiversidade. Mesmo assim, as três têm o certificado do FSC.

Apesar disso, uma dessas empresas, a SCA, foi advertida pelo FSC pelo desmatamento de florestas com um alto valor de proteção, sendo que árvores de 250 a 300 anos de idade não foram poupadas. Numa área de pouco mais de 40 hectares, a SSNC documentou 300 infrações graves com fotos e coordenadas. A SCA nem respeita a legislação florestal da Suécia, nem suas próprias normas, e tampouco os princípios do FSC. Mesmo assim, em 2008, a validade do seu certificado do FSC foi simplesmente prorrogada.

Em junho de 2010, a SSNC decidiu deixar o FSC-Suécia. Jonas Rudberg, o especialista em florestas da SSNC: ‘Durante anos fizemos de tudo para melhorar o FSC-Suécia. Mas o padrão continua fraco demais e as exigências não estão sendo cumpridas. E quando alertamos sobre uma infração, as sanções para as empresas são ligeiras demais para realmente ter um impacto.’

O FSC lançou em fevereiro de 2010 uma revisão dos princípios e critérios do FSC para o contexto sueco. Eles vão entrar em vigor a partir de 2010. Mas é preciso esperar para ver se as empresas florestais agora serão tratadas com mais rigor. Por enquanto, a SSNC continua sim membro do FSC Internacional.

‘Sem caminho de volta’

Bart Holvloet admite que há problemas mas, segundo ele, em relação às plantações de árvores não há como voltar atrás: ‘Sabiamos desde o início que plantações seriam uma questão controversa e infelizmente sempre serão assim. Mas eu não vejo o FSC parar de certificar-las. É lamentável que tais organizações que focam nas plantações querem jogar a criança com a água e bacia fora.’ O diretor do FSC-Bélgica aponta que plantações são apenas 8 das 135 milhões de hectares de florestas certificadas. Mas em alguns países essa relação é sensivelmente diferente. No Brasil há 5,5 milhões de hectares de florestas certificadas pelo FSC, sendo que 1,8 milhões de hectares são plantações.

Essa pesquisa foi possível com o apoio do Fundo Pascal Decroos para Jornalismo Especial. www.fondspascaldecroos.org

Autores: Leopold Broers en An-Katrien Lecluyse.

Matéria Original: http://www.mo.be/index.php?id=348&tx_uwnews_pi2[art_id]=29495&cHash=7da216e2fb

Plano Estadual de Adequação e Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais


O PARA possui consonância com o Programa Federal de Apoio à Regularização Ambiental de Imóveis Rurais, denominado “Programa Mais Ambiente” instituído pelo Decreto Federal n° 7.029/2010, sendo instaurado pelo Governo da Bahia, aprovado pela Lei n° 11.478 de 01/07/2009, regulamentada pelo Decreto n° 12.071 de 23/04/2010 e pela Portaria n° 12.908 de 01/06/2010, alterada pela Portaria n° 2.295/2012 de 21/03/2012.
O PARA possui como objetivo promover a adequação ambiental dos imóveis rurais do Estado da Bahia através da recuperação e regularização da reserva legal, das áreas de preservação permanente e regularização das autorizações, dos registros e licenças ambientais inerentes aos empreendimentos.
A adesão ao PARA é voluntária, devendo o requerente realizar o preenchimento do Formulário Padrão de Requerimento (Anexo Único do Decreto n° 12.071/2010) até o dia 11 de dezembro de 2012, sinalizando o passivo ambiental do imóvel. O requerente tem o prazo de 360 dias contados a partir da data de entrega do termo de adesão para apresentar o Projeto de Adequação e Regularização Ambiental (PAD) ao Inema. O não cumprimento do prazo de 360 dias implicará no arquivamento do processo de adesão e na aplicação imediata das sanções correspondentes às infrações administrativas relacionadas ao passivo ambiental declarado.
O PAD deverá conter os planos e projetos a serem executados para sanar o passivo ambiental declarado no Termo de Adesão, com o devido cronograma de execução, devendo ser elaborado e executado por profissional habilitado, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho de Classe competente. A Portaria nº 12.908/2010 do Inema possui no Anexo I o roteiro detalhado das informações a serem apresentadas no PAD para cada situação de passivo ambiental específico.
O Inema procederá a análise da viabilidade técnica e jurídica do PAD e, após a sua aprovação, celebrará Termo de Compromisso, conforme dispõe o ANEXO II da Portaria n° 12.908/2010, para as necessárias correções ambientais no imóvel e nas atividades nele desenvolvidas, no prazo de até 120 (cento e vinte) dias. Os atos administrativos deverão ser requeridos ao Inema no prazo de até 30 dias após assinatura do Termo de Compromisso ficando regularizado o passivo ambiental em relação aos mesmos até a conclusão do processo.
Para realização da análise de viabilidade técnica o Inema procederá inspeção de campo, podendo a mesma ser dispensada quando se dispuser de imagem de satélite de alta resolução, sendo obrigatório, nestes casos, o estabelecimento de sistema de validação por amostragem em campo para validação da sistemática adotada.
Consideram-se adesos ao PARA os proprietários ou posseiros de imóvel rural com passivo ambiental cujo processo de regularização já tramite no Inema na data de publicação do Decreto n°12.071/10, ou seja, em 23 de abril de 2010, ficando o seu passivo regularizado com a emissão do ato administrativo competente.
Os empreendimentos agrossilvopastoris com processos de regularização ambiental em trâmite no Inema até a data de 23 de abril de 2010 devem declarar o passivo ambiental por meio de formulário específico, constante no ANEXO III da Portaria n° 12.908/2010.
As informações obtidas pelo Inema nos processos de regularização ambiental de imóveis rurais servirão para atualizar o Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais – CEFIR, que se constitui no instrumento de monitoramento das áreas de preservação permanente, de Reserva Legal, de Servidão Florestal, de Servidão Ambiental e das florestas de produção, necessário à efetivação do controle e da fiscalização das atividades florestais, bem como para formação dos corredores ecológicos.

A sustentabilidade veio para ficar

A sustentabilidade veio para ficar, gerando empreendimentos ecologicamente corretos, economicamente viáveis e socialmente justos. Produzir com sustentabilidade virou palavra de ordem para a maioria das empresas. As companhias encontram nesse nicho uma alternativa para conter a série de mudanças climáticas, e, principalmente, um diferencial competitivo.

No entanto, segundo consultores de mercado, o discurso muitas vezes fica longe da prática, e poucas se preocupam, de fato, com a natureza e seus colaboradores.
Mas enquanto grandes companhias que dizem desenvolver um processo de sustentabilidade não o cumprirem em todos os sentidos, alguns pequenos empresários têm dado um passo importante no caminho da economia sustentável e já vivenciam um real comprometimento com manutenção e bem-estar de clientes e colaboradores. Em meio a esse cenário, alguns consumidores também passam a dar preferência a empresas que reciclam produtos, cuidam da natureza, reutilizam matéria-prima em degradação e investem em processos que colaborem para a preservação do meio ambiente.

O foco no lucro, sob ações ecologicamente corretas, tem, inclusive, despertado ideias criativas entre profissionais que resolveram dar uma guinada em sua vida, e escolheram seguir essa linha de pensamento e ação - apesar da consciência de que o processo é lento e de que ainda há muito a fazer, iniciando pela conscientização de outras pessoas.

A partir do momento em que a mídia começou a falar da preocupação com o meio ambiente, a modelista Irene Joana Serafini decidiu se aprofundar no tema. Convidou a estilista Suzana Berni Gonçalves para investir em um negócio sustentável, e, há um ano, trabalham juntas criando roupas customizadas. O resultado são produtos gerados através da reutilização de tecidos, inspirados em moda alternativa. “Nossa filosofia de trabalho é a reciclagem. A forma de sustentabilidade que encontramos é de renovar peças o tempo que for possível, de acordo com a vida do tecido”, explica a modelista, ressaltando que uma roupa deixa de ser descartável, uma vez que seja sempre atualizada.

Irene garante que, economicamente, o negócio funciona bem, pois o processo de produção sai mais barato. “Além disso, os produtos que desenvolvemos fogem da massificação, a partir do momento que se permite ter mais autenticidade nos modelos”, destaca Suzana. “Percebemos que o público gosta de moda alternativa e personalizada – e que o fato de ser ecologicamente correto encanta”, completa.

Inspirada nas tendências do Rio de janeiro e São Paulo, mercados de onde emergem os lançamentos, a estilista garante que nada na loja fica demodê: a proposta do negócio é mesmo dar “cara nova” aos produtos que muitas vezes seriam descartados. “O cliente pode trazer sua própria peça de roupa para personalizar”, sugere. Na loja onde funciona o atelier, tudo é customizado. Ali, a sustentabilidade é, literalmente, a alma do negócio. “Nosso investimento foi baixo”, garante Suzana. As duas empresárias reaproveitam peças usadas e fabricam peças novas com os tecidos que compram de pontas de estoque, além de sobras de retalhos.

Couros, fitas, metais, pedrarias, linhas, aplicações do próprio tecido são a matéria-prima. O resto é criatividade. Isso permite que as roupas cheguem às prateleiras com preços até 50% mais baratos. Atualmente, elas expõem 180 peças customizadas na loja. “Está sendo bem aceito pela clientela. Sustentabilidade é o grande negócio do futuro”, acredita Irene. “Mas a gente observa que não são muitas as empresas que trabalham com esta proposta. Já ouvi acadêmicos e estudantes me dizendo que só teremos algum retorno a longo prazo, alegando que sustentabilidade é algo que só dará resultados daqui há muitos anos”, lamenta a modelista.
Consumidores conscientes são fundamentais

Sustentabilidade, além de ser uma exigência do mercado, é coisa séria. O conferencista e consultor de empresas na área de desenvolvimento de competências e lideranças Gilberto Wiesel ressalta a importância da busca das novas gerações por produtos que não prejudiquem o meio ambiente. “A moda, hoje em dia, é ser uma empresa sustentável. Exatamente por isso surgem os greenwashers - ou falsos ecológicos corporativos -, que enganam os clientes dizendo-se ecologicamente corretos e acabam por diminuir a credibilidade de seus produtos”, teoriza Wiesel. Ele dá a dica de como distinguir marcas que embarcaram nesta atitude. “O consumidor tem que estar atento ao que a companhia comunica e o que ela realmente faz. As redes sociais ajudam nisso, e é papel do consumidor confrontar estas informações.”

O consultor destaca que toda empresa sustentável passa por processo de ISO 14.000 e que o certificado, em geral, vem nas etiquetas. “Existem cinco ou seis tipos de etiquetas que informam se a empresa é licenciada e participa de processo sustentável, sendo assim controlada por órgãos responsáveis pela fiscalização”, explica. Ele ressalta que, no futuro, os consumidores serão muito mais exigentes. “Atualmente, as crianças já aprendem sobre sustentabilidade desde que nascem, e irão para o mercado procurar produtos que valorizem este processo”.

A jornalista Marianna Senderowicz, sócia-proprietária da Própria Comunicação, empresa de produção de conteúdo, integra a turma de consumidores conscientes, que, ao escolherem determinado tipo de produto ou serviço, fazem sua parte em prol da sustentabilidade. Ela utiliza serviços de bike boy com fre-quência, para isso, se programa com antecedência para solicitar as entregas e garantir que cheguem em tempo hábil. “Acredito que, além de ser ecologicamente correto, incentivar este tipo de negócio é dar também uma oportunidade de emprego para o pessoal mais jovem, que está se inserindo no mercado de trabalho”, opina.

Mas a busca pela sustentabilidade não para aí: a rotina da equipe da Própria Comunicação envolve outras práticas, como otimizar o uso do carro, concentrando reuniões em um mesmo dia, utilizar papel reciclado, economizar na impressão de documentos, separar o lixo, racionalizar energia elétrica e, fora da empresa, realizar trabalho voluntário com animais de rua. “Além disso, procuramos prospectar clientes com perfil ambiental e social”, ressalta a jornalista.

Entrega sobre rodas, mas sem poluição
Seguindo os preceitos de sustentabilidade, a Pedal Express é uma alternativa para entregas rápidas, com menor custo-benefício e sem poluir o meio ambiente. O estilo é baseado no modelo utilizado em países de primeiro mundo: bikeboys - ou ciclistas que fazem entregas usando a bicicleta como meio de transporte - substituem os motoboys. Mais do que garantir economia e colaborar com o meio ambiente, a ideia incentiva a prática de esporte como opção de renda.

“Buscamos e entregamos documentos, pacotes, tubos, caixas e tudo o que couber em nossas mochilas”, resume Marcos Ritter Rodrigues, sócio da empresa, que, desde março, atende à área central da Capital. Contando com uma equipe enxuta, de quatro bikeboys, a Pedal Express realiza uma média de 40 entregas por dia. O investimento pequeno, de cada um dos sócios, foi necessário apenas para pagar a aquisição dos uniformes e bicicletas. “O retorno ainda é pouco, mas estamos inserindo a cultura”, avalia Rodrigues. Segundo ele, a empresa já conta com uma carta de 60 clientes fixos, que utilizam exclusivamente os serviços de entrega.
Economia de água e de geração de resíduos

Em meio a tantas opções de produtos e serviços no mercado, muitos consumidores já perceberam que a melhor alternativa é escolher negócios que utilizem o mínimo de recursos naturais. Com este pensamento, Leonardo Mejler, diretor da Carwash Prime, está lançando nesta semana a Car Wash Prime. A empresa é especializada em lavagem automotiva, com a utilização de produtos biodegradáveis e apenas 300 ml de água, em média, por carro (de passeio). Os panos de limpeza são feitos de microfibras e podem ser reutilizados até 300 vezes. “Nosso serviço tem um apelo sustentável forte, pois economiza água e se preocupa em evitar a geração de resíduos”, diz o executivo, que administrará uma equipe de dez pessoas, ao lado do sócio Walter Katz Neto.

Além da questão sustentável, a Car Wash Prime tem outro diferencial: os profissionais se deslocam até o cliente para realizar o serviço. O foco é atender a frotas, em grandes empresas, condomínios, estacionamentos de faculdades ou shopping centers onde os carros ficam parados boa parte do tempo. “Enquanto o cliente trabalha, lavamos o carro dele. A única estrutura que precisamos é de uma tomada”, resume Mejler, destacando que esta é uma forma de otimizar o tempo do usuário, que não precisará deixar de curtir um final de semana, por exemplo, para se deslocar à lavagem de carros.

Com a garantia de preços semelhantes aos das empresas tradicionais, o serviço de lavagem ecológica pretende atender a Porto Alegre e Região Metropolitana, através de agendamentos. O negócio teve investimento médio e demandou seis meses de trabalho para sair do papel. “Buscamos ideias, e participamos de um treinamento em São Paulo”, conta o administrador.

Fonte: jcrs.uol.com.br