A Lei 12.244, instituída em maio de 2010, garante que todas as instituições
de ensino do País, públicas e privadas, tenham bibliotecas instaladas até 2020.
É com o objetivo de disseminar essa informação à população que será lançada a
campanha Eu Quero Minha Biblioteca, pela efetividade da Lei 12.244/10. A ação é
iniciativa do Instituto Ecofuturo e tem o apoio do Instituto
C&A.
A proposta da campanha é sensibilizar os candidatos às eleições municipais,
para que incluam a efetividade da lei em seus programas de governo, além de
chamar a atenção da sociedade civil para esse direito e sugerir que todos
solicitem aos seus candidatos o cumprimento dessa lei.
Será lançado um site com: informações sobre a lei; uma publicação sobre
como a gestão pública pode assegurar a criação e a manutenção de bibliotecas em
escolas, que apresentará as linhas de recursos disponíveis; uma seção chamada
Observatório Legislativo, com todos os projetos de lei em tramitação e as
audiências públicas agendadas sobre o tema; informações sobre bibliotecas em
escolas, organizadas pelos parceiros da campanha; e um mapa que mostrará, em
tempo real, a adesão da população e dos candidatos à campanha.
Estão abertas as inscrições para o V Edital do programa Costa Atlântica, da
Fundação SOS Mata Atlântica, que disponibilizará até R$ 300 mil para projetos
que visam a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade das zonas
costeira e marinha sob influência do bioma Mata Atlântica. O processo é
competitivo e conta com a participação de um comitê julgador composto por
especialistas no tema.
O Edital, que pode ser acessado em
www.sosma.org.br, conta com o patrocínio das empresas Anglo American, Bradesco
Capitalização e Repsol Sinopec.As propostas podem ser enviadas, até 10 de
outubro de 2012, pelo site HTTP://gerencia.sosma.org.br/costa
ou pelo correio (confira endereço no edital).
Estão abertas as inscrições para o processo seletivo de apoio a projetos do
Fundo Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura. Podem participar órgãos da
administração pública direta e indireta nos estados, municípios e Distrito
Federal, além de instituições privadas de natureza cultural sem fins lucrativos
com, no mínimo, três anos de atividade comprovada.
Serão distribuídos, ao todo, R$ 10,5 milhões para projetos iniciados entre
dezembro de 2012 e dezembro de 2013. A vigência do projeto não poderá
ultrapassar o exercício financeiro 2014. As inscrições estão abertas até 24
de setembro e o edital completo pode ser acessado no site do Ministério da
Cultura.
O Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio) lança uma nova chamada do
acordo bilateral Tropical Forest Conservation Act (TFCA), entre Brasil e Estados
Unidos. A chamada destina-se a projetos de conservação da biodiversidade, e
disponibilizará R$ 7 milhões em projetos que têm a duração máxima de 24
meses.
O objetivo é selecionar projetos que contribuam para o manejo de paisagens e
espécies, áreas protegidas, capacitação e projetos comunitários.
Podem participar da seleção organizações não governamentais brasileiras,
associações e outras instituições sem fins lucrativos, com trabalhos voltados
para meio ambiente, florestas ou povos indígenas, e instituições de pesquisa e
ensino que tenham trabalhos sobre conservação da biodiversidade. Universidades
públicas que desejem participar devem fazê-lo através de suas fundações. Redes
legalmente constituídas também podem participar das chamadas.
As instituições proponentes devem enviar propostas para o Funbio até 11 de
outubro de 2012. Os resultados finais das seleções serão divulgados em janeiro
de 2013. Mais informações em www.funbio.org.br
A Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, por intermédio do Departamento de Políticas Programas e Projetos, torna público Edital de seleção para que os municípios, estados e Distrito Federal apresentem propostas para execução conjunta dos projetos Mulheres da Paz e Proteção de Jovens em Território Vulnerável - PROTEJO no âmbito do Programa Nacional de Segurança com Cidadania – PRONASCI Os convênios celebrados entre o Ministério da Justiça e municípios, estados e o Distrito Federal para a execução dos Projetos Mulheres da Paz e PROTEJO terão como objeto comum a seleção e capacitação de mulheres para atuação nas comunidades que constituem áreas conflagradas, com vistas à construção e fortalecimento das redes sociais de prevenção e enfrentamento à violência, bem como a promoção do atendimento aos adolescentes e jovens com idade entre 15 e 24 anos que estejam em situação de vulnerabilidade familiar e social ou de violência. Sendo assim, o convênio atenderá dois públicos prioritários: mulheres e jovens. O Projeto Mulheres de Paz visa formar e capacitar as mulheres atuantes na comunidade para que se constituam, institucionalmente, como mediadoras sociais a fim de fortalecer as práticas políticas e socioculturais desenvolvidas, além de agirem como multiplicadoras do Programa, tendo como incumbência prevenir a violência juvenil e o envolvimento dos jovens com as drogas, bem como a violência de gênero. Já o Projeto PROTEJO foi instituído pelo governo federal no ano de 2007 e tem como objetivo geral selecionar e acompanhar jovens entre 15 e 24 anos em situação de risco ou vulnerabilidade familiar e social, egressos do sistema prisional ou cumprindo medidas socioeducativas, com vistas à desenvolver percursos formativos para a promoção da cidadania, direitos humanos, qualificação profissional e inclusão social, para a prevenção da violência, da criminalidade e do envolvimento com drogas.
Enquanto a economia europeia patinava, o setor de e-Waste (reciclagem de eletrônicos) cresce em ritmo acelerado. Pelo menos é o que afirma o relatório da consultoria especializada Frost&Sullivan. Segundo o relatório, chamado "Oportunidades Globais em Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos”, o volume de recursos alcançou 1,42 bilhões de euros em 2011. A estimativa é que o crescimento continue às taxas de 4% anuais até 2017, alcançando 1,87 bilhões de euros até 2017. Tudo isso mesmo com as quedas nos preços do aço e do plástico que acabaram por tornar menos atrativa a atividade de reciclagem desses materiais. Parte desse desempenho se deve à diretiva europeia que determina que todos os países membros recuperem 45 toneladas de resíduos eletrônicos a cada 100 toneladas produzidas em 2016. A meta sobe para 65% em 2019 e 85% em 2021.
Um Exemplo de Ação Humana, Parabens Feirra de Santana
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam),
através do Departamento de Planejamento e Educação Ambiental, tem investido na
realização de ações de conscientização ambiental em unidades de ensino de Feira
de Santana. Nesta segunda-feira (23) as atividades foram realizadas na Escola
Municipal Dr. Cícero Barbosa de Carvalho.
A escola participa ativamente do Projeto Meio
Ambiente In Foco, com a promoção de oficinas de reciclagens e preservação da
natureza para todas as turmas.Os alunos do 4º ano participaram da oficina de
reciclagem aprendendo a confeccionar objetos decorativos com jornais e garrafas
de vidros.
A atividade foi coordenada pela bióloga da Semmam
Ivamara Bastos e resultou na produção de jarros coloridos e enfeites de parede,
como mandalas. A estudante Paula Ludmila, de 9 anos, aprovou a iniciativa. “Vou
aproveitar e fazer logo um presente para o meu pai, daí não vamos mais precisar
gastar dinheiro para comprar”, afirmou.
Durante a ação a professora Eunice Araújo também
aproveitou galões de tinta vazios e caixas de sapato para confeccionar
recipientes para coleta seletiva do lixo. “Os alunos aprendem tanto a separar
como a reciclar o lixo, além de contribuir com a conservação de meio ambiente”,
afirma a professora.
O Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem liberado recursos para a construção de 6.116 quadras esportivas e cobertura de outras 4 mil em escolas públicas de todo o Brasil. Os gestores da rede estadual de educação têm até 29 de setembro para indicar, pela internet, as escolas públicas de educação básica que terão prioridade no repasse para as obras.
A partir de agora, podem ser indicadas escolas com menor número de alunos — mínimo de 100 matrículas. Até o primeiro semestre deste ano, somente instituições com até 500 alunos atendiam o critério de seleção para o recebimento dos recursos. Dos R$ 4 bilhões a serem investidos até 2014 na construção e cobertura de quadras, o FNDE já liberou R$ 1,14 bilhão.
A meta para este ano é liberar recursos para a construção de 1,5 mil quadras e cobertura de outras mil. O FNDE já aprovou 445 projetos de construção e outros 877 de cobertura.
A indicação das escolas deve ser feita no Sistema de Informações Integradas de Planejamento (Simec) do Ministério da Educação.
O valor médio para construir uma quadra varia de R$ 240 mil a R$ 500 mil; para a cobertura, de R$ 120 mil a R$ 240 mil. Embora o FNDE tenha um projeto-padrão, as escolas podem apresentar projetos próprios, que serão avaliados pela área técnica do órgão. “As quadras passaram a incorporar, em 2011, a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2”, explica Renilda Lima, diretora de gestão, articulação e projetos educacionais do FNDE. “Já temos mais de mil municípios atendidos em todos os estados.”
Os recursos são repassados a prefeituras e a secretarias estaduais de educação por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR). “Até hoje, liberamos recursos para a construção e cobertura de 2.862 quadras esportivas”, diz Renilda.
Os alunos da escola pública Vinícius de Morais, no município cearense de Maracanaú, a cerca de 10 quilômetros de Fortaleza, já têm aulas na quadra, inaugurada em 16 de março último. Antes, eles praticavam esportes no espaço de lazer público ao lado da escola. “Muitas vezes, quando chegávamos lá, a quadra de vôlei de areia estava ocupada”, conta Marcos Martins, 32, estudante de letras na Universidade Federal do Ceará. De segunda a sexta-feira, ele trabalha na escola como monitor do programa Mais Educação.
“Essa quadra foi um presente para a escola e para a comunidade”, comemora a diretora Socorro Lima da Silva. Segundo ela, duas vezes por semana alunos da Escola Municipal Walmik Sampaio de Albuquerque utilizam a quadra da escola Vinícius de Morais para as aulas de educação física. “Durante a semana, de 17h às 20h, a quadra é utilizada pela comunidade, em jogos de futsal. E, nos fins de semana, é utilizada em atividades do programa Escola Aberta, como eventos religiosos”, explica.
Além das atividades esportivas, os alunos deixam as salas de aula para usar a quadra coberta em atividades de letramento e de matemática. “Temos um palco, na quadra, usado para representar leituras” diz Marcos. “Nas atividades de matemática, as crianças sentam-se no chão da quadra para aprender multiplicação em jogos de dados.”
O secretário de educação básica do Ministério da Educação, César Callegari, afirma que o MEC vem apoiando a construção de espaços de atividades físicas nas escolas públicas. “É um componente obrigatório para os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, inclusive com profissionais qualificados”, diz. “Mas, mesmo nos anos iniciais, as vivências esportivas devem ser desenvolvidas pelas escolas para que todos os alunos participem dessas práticas.” Assessoria de Comunicação Social
Ouça a diretora de gestão, articulação e projetos educacionais do FNDE, Renilda Lima
Das muitas crises pelas quais a humanidade passou, essa, seguramente, possui uma singularidade. Ela pode significar o fim de nossa existência sobre este planeta ou um salto para um novo patamar de civilização, ecoamigável, justa, compassiva e fraterna. A grande maioria da humanidade e os tomadores de decisões dos povos não se conscientizaram ainda desta nova situação. A Rio+20 foi escandalosamente cega e muda. Não se tomaram decisões. Foram proteladas para 2015.
Não obstante esta atitude insana, alguns fatos estão produzindo um novo estado de consciência na Humanidade. Podem ocasionar mudanças radicais. Eis alguns deles.
O primeiro, é a consciência de que podemos nos auto-destruir. O fim do mundo humano não precisa ser mais obra divina, mas consequência de atos humanos. Hoje os países militaristas dispõem de uma máquina de morte com armas nucleares, químicas e biológicas, capazes de destruir, por 25 formas diferentes, toda a espécie humana. Podemos ser não só homicidas e ecocidas mas também biocidas e geocidas.
O segundo, é a descoberta da unidade Terra e Humanidade. É o legado que os astronautas nos deixaram. Eles testemunharam: a partir de suas naves espaciais se comprova que não há separação entre Terra e Humanidade. Formam uma única entidade. Nós somos a porção da Terra que sente, pensa, ama e cuida. Humanidade e Terra são interdependentes e indivisíveis. Posteriormente, os cientistas demonstraram que a Terra é um sistema biofísico que regula os climas, garante a fertilidade dos solos e rege as corrente marítimas. Chamaram-na de Gaia, a Pacha Mama dos andinos.
O terceiro, são as mudanças climáticas com seus eventos extremos, coisa que os céticos não podem negar. Parte delas pertence à geofísica da Terra, mas a outra, acelerada, é em grande parte, produzida pela atividade humana. A roda já está girando e não há como pará-la. Ao alcançar dois graus Celsius, o aquecimento será ainda admnistrável. Com a entrada do metano e do nitrato, o clima poderá acercar-se a quatro e a cinco graus Celsius. Isso tornará grande parte da vida conhecida no planeta impossível. Milhões de seres humanos correriam risco de desaparecer.
O quarto fato é o fim da matriz energética baseada nos produtos fósseis como o petróleo, o gás e o carvão. Temos consciência de que não podemos mais sustentar este tipo de civilização altamente energívora. Precisamos desenvolver fontes alternativas limpas, baseadas na água, no sol, no vento, nas marés e na biomassa. Mas todas juntas são insuficientes para sustentar o nosso tipo de civilização. Forçosamente devemos mudar nossas formas de produção e de locomoção.
O quinto fato é a a tragédia social que afeta grande parte da Humanidade. As três pessoas mais ricas do mundo possuem ativos superiores à toda riqueza de 48 países mais pobres onde vivem 600 milhões de pessoas; 257 pessoas sozinhas acumulam mais riqueza que 3 bilhões de pessoas o que equivale a 45% da humanidade. O resultado é que 1,2 bilhões de pessoas passam fome e outros tantos vivem na miséria; no Brasil, segundo M. Pochmann, mais ou menos 5 mil famílias possuem 46% da riqueza nacional. Que dizem esses dados senão expressar uma aterradora desumanidade?
Por fim, o sexto fato, é a consciência de que um outro mundo não é só possível mas necessário. Esta consciência ganhou expressão e visibilidade nos Fórums Sociais Mundiais e na Cúpula dos Povos como agora durante a Rio+20. A nova ordem nascerá a partir de baixo, da contribuição de todos os povos e culturas e marcará uma nova etapa da Humanidade e da própria Terra. Uma superdemocracia planetária deverá forçosamente surgir que englobará vida, Terra e Humanidade num único destino comum. Ou então vamos ao colapso total.
Há que reconhecer que estamos dentro de um círculo vicioso do qual não sabemos como sair. Devemos produzir para atender o consumo e criar postos de trabalho. Quanto mais consumimos, mais empobrecemos a natureza. Mas chegará o momento em que ela não aguentará mais. Por outro lado, se pararmos de consumir, fecham-se fábricas, cria-se desemprego, surge fome e miséria e estoura a convulsão social. Para onde vamos? Quem o saberá exatamente?
O certo é que assim como está, a sociedade mundial não poderá continuar. A prosseguir por este caminho, nos acercaremos do abismo. O ideal que se impõe é: como produzir o que necessitamos em harmonia com os limites e os ritmos da natureza, com sentido de distribuição equitativa entre todos e solidários para com nossos filhos e netos que virão. Uma saída possível seria passar do capital material para o capital humano e espiritual. Nele ganhariam centralidade o ganha-ganha, a solidariedade, o cuidado que levarão a outras formas de produção de consumo e de respeito aos limites.
Cada pessoa constitui uma república, dizia Edgar Morin, de 30 bilhões de células que se põem de acordo para manter o equilíbrio do sistema-vida. Como não será possível uma sociedade humana que conta com apenas 7 bilhões de seres humanos não pode colocar-se de acordo para viver em paz com a Terra, com todos os povos e com o próprio coração?
Leonardo Boff é ecoteólogo, filósofo e autor de O Tao da Libertação: explorando a ecologia da transformação, Vozes 2012.
Liminar suspende Consulta Pública para criação da RESEX, mas
comunidade de pescadores organiza ato público e recebe forte apoio dos governos
do estado e federal.
A terceira consulta pública para a criação da Reserva Extrativista (RESEX) do
Cassurubá na região dos Abrolhos, marcada para domingo, dia 25, não pode ser
realizada por conta de uma liminar conseguida de última hora, pelo grupo
contrário ao movimento. Como a liminar foi concedida na sexta-feira depois das
18:00 horas, toda a estrutura para o evento já estava contratada. Da mesma forma
as comunidades ribeirinhas, muitas em locais de difícil acesso, já estavam
mobilizadas e avisadas. Diante da situação a Associação dos Marisqueiros de
Ponta de Areia e Caravelas-AMPAC solicitou ao chefe do Parque a utilização do
espaço para realizar a reunião para discussão e esclarecimentos sobre o processo
de criação da RESEX, aproveitando também as diversas autoridades presentes, que
não tiveram tempo hábil para cancelar suas viagens. O encontro ocorreu no Centro
de Visitantes do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, em Caravelas (BA), e
contou com a presença de cerca de 400 pessoas, entre pescadores e marisqueiros
dos municípios de Caravelas e Nova Viçosa, representantes das RESEX do Corumbau
e Canavieiras, da Universidade Federal da Bahia e Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e de autoridades do
Ministério do Meio Ambiente, do IBAMA, da Superintendência de Recursos Hídricos,
do Centro de Recursos Ambientais, da Diretoria de Unidades de Conservação, da
Diretoria de Educação Ambiental, todas ligadas à Secretaria Estadual de Meio
Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), além da BAHIAPESCA, ONGs e movimentos
sociais.
O evento contribuiu para afirmar o apoio de diversos atores da
comunidade e, principalmente, do governo da Bahia e do governo federal ao
processo de criação da RESEX. Júlio Rocha, Superintendente de Recursos Hídricos
do Estado da Bahia que participou do encontro, tornou pública a posição
favorável do governo do estado: “O Governador Jaques Wagner veio para mudar.
Para mostrar que tem posição! A posição que trago aqui é uma posição de Governo,
discutida na Casa Civil do Estado. O Governo do Estado apóia a criação da RESEX
Cassurubá!” Esteve presente também o assessor da Ministra Marina Silva, Pedro
Ivo, representando o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que manifestou total
apoio do órgão enfatizando o envolvimento pessoal da Ministra em favor da causa.
“O MMA não vai arredar pé da criação da RESEX, e vai dar todo o apoio para
vocês. A Ministra Marina está pessoalmente envolvida na questão e nós não vamos
nos intimidar com o poder econômico”, afirma Pedro Ivo. Ainda segundo ele, o MMA
e o Ibama estarão presentes para fortalecer a conclusão da RESEX. “A posição
favorável por parte dos governos federal e estadual e demais órgãos públicos foi
um dos pontos fortes da reunião e mais um passo fundamental desta mobilização”,
conclui Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da Conservação
Internacional (CI-Brasil).
A área proposta para a criação da nova Unidade
de Conservação (UC) tem uma extensão aproximada de 47.000 hectares na região de
mangues e restingas entre as cidades de Caravelas e Nova Viçosa (BA). Lá residem
aproximadamente 350 famílias que dependem da mariscagem, da agricultura familiar
e da pesca para sua subsistência. Além de sustentar estas comunidades, os
maiores manguezais do Complexo dos Abrolhos são fundamentais para os
ecossistemas costeiros e marinhos adjacentes, caracterizando-se como ambiente de
reprodução e de crescimento de inúmeras espécies. “Somada a importância para a
conservação da biodiversidade do Banco dos Abrolhos, o estuário do Cassurubá
apresenta grande interesse econômico e social. Abrolhos é a região mais piscosa
da Bahia, e grande parte das espécies de interesse para a pesca completa uma
porção de seu ciclo de vida no estuário do Cassurubá. Lembrando ainda que, as
restingas da região são um importante manancial de água doce para o manguezal e
para o estuário. Diferentemente de outros estuários onde a água doce é
proveniente de grandes rios, no Cassurubá esta fonte é o lençol freático,
fundamental para o ecossistema e a vida das comunidades ribeirinhas", afirma o
Prof. Mário Soares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
As
discussões para a implantação da Reserva estão em andamento desde 2003. Duas
consultas públicas já tinham sido realizadas na região, em janeiro e fevereiro
de 2006, mas uma ação movida pela Prefeitura e Câmara de Vereadores de
Caravelas, pela Diretoria da Colônia de Pescadores Z-25, pelo Rotary Clube e
associações locais ligadas a este grupo, sob a alegação de que o processo de
criação da UC não havia seguido todos os ritos formais necessários, provocou a
interrupção do processo em maio do mesmo ano. Em decisão publicada no Diário
Oficial de 29 de janeiro de 2007, a justiça federal determinou a realização de
nova consulta pública, que disponibilizasse os estudos técnicos à população,
movimentos e organizações sociais interessados, observando-se os preceitos
legais e regulamentares.
A liminar concedida pela Justiça Federal no
final da última sexta-feira, causou revolta na comunidade de pescadores, que
luta pela criação da RESEX. Para o Sr. Antônio Pedro Santos, 56 anos, pescador
em Barra de Caravelas: “Querem atrapalhar a criação da nossa Reserva, mas vamos
seguir em frente! Não vamos esmorecer com estes empresários que vêm de fora!
Vamos olhar pra frente. Vamos pensar no nosso futuro e nos nossos filhos!”. Uma
outra fonte, que não quis se identificar denuncia: “A Colônia Z-25, que deveria
defender os interesses dos pescadores, só apóia a prefeitura e os empresários.
Isso porquê o Presidente da Colônia é também o Secretário de Pesca da cidade. Um
absurdo!”.
Riqueza Ameaçada – A região de estuários,
mangues e restingas da “Ilha do Cassurubá” é reconhecida como o berçário das
formas de vida marinha do Banco dos Abrolhos, área com a maior biodiversidade
marinha do Atlântico Sul, que abriga diferentes espécies exclusivas em um
ecossistema raro. Os recursos naturais de Abrolhos sustentam cerca de 20 mil
pessoas dependentes da pesca e outras 80 mil do turismo, no Extremo Sul da
Bahia.
Recentemente, empresários da Cooperativa de Criadores de Camarão
do Extremo Sul da Bahia - COOPEX - propuseram a instalação de um
mega-empreendimento de carcinicultura na região. O projeto vem causando muita
polêmica. “Caso as fazendas de camarão sejam implantadas, o modo de vida dessas
populações e o ecossistema local podem ser abalados de forma irreversível, a
exemplo do que vem ocorrendo no litoral do Ceará e Rio Grande do Norte, estados
que lideram a criação de camarão em cativeiro”, afirma Renato Cunha, do Grupo
Ambientalista da Bahia.
Reservas Extrativistas e Desenvolvimento
Sustentável – A sobre-exploração dos recursos naturais nos ecossistemas
marinhos e costeiros já não é mais a exceção. “Infelizmente, temos observado no
litoral brasileiro um modelo de crescimento predatório e insustentável em médio
e longo prazo. É necessária uma revisão urgente desse paradigma de
desenvolvimento ou prejudicaremos nossas maiores fontes de riqueza e
biodiversidade” – afirma Renato. “Grandes empreendimentos, como as fazendas de
camarão, os mega-complexos hoteleiros e as monoculturas, se instalam em áreas
costeiras com grandes promessas de lucros e empregos. Depois, o que se constata
são impactos ambientais irreversíveis, bem como conflitos com populações
tradicionais de pescadores, extrativistas e pequenos agricultores. E o lucro
acaba concentrado nas mãos de pequenos grupos, muitas vezes,
estrangeiros”.
A criação de UCs de uso sustentável, como as reservas
extrativistas, tem se mostrado uma alternativa viável para a gestão dos recursos
naturais e para o fortalecimento das comunidades costeiras. Na Bahia, as
Reservas Extrativistas de Canavieiras e do Corumbau constituem exemplos dos
benefícios da gestão participativa das áreas protegidas. “A RESEX é a única
forma de vocês defenderem o que é de vocês. Lá em Canavieiras os empresários
fizeram o mesmo terror. Chegaram lá e prometeram 5000 empregos. Vai ver quantos
empregos tem? Não chegam a 200” justifica Carlos Alberto, da Associação de
Pescadores de Atalaia, na RESEX de Canavieiras.
Sugestão de
Fontes:
Mário Soares - Doutor em Oceanografia. Núcleo de Estudos
em Manguezais da UERJ. Coordenador do Laudo Biológico do sistema Caravelas-Nova
Viçosa. Contato: (21) 2587-7858
Jorge Galdino -
Movimento Cultural Arte Manha (sobre aspectos sociais da região). Contato:
(73) 3297-2155
Carlos Aguiar (Kid) – Patrulha Ecológica
– Escola da Vida (sobre aspectos sociais da região). Contato: (73) 8809-9453
/ 3297-1340
Guilherme Dutra – Biólogo, Diretor do
Programa Marinho da Conservação Internacional (sobre aspectos ambientais e
sociais da região). Contato: (71) 2201-0700
Eduardo
Camargo – Gerente Administrativo do Instituto Baleia Jubarte, trabalha
há 13 anos na região (sobre aspectos ambientais). Contato: (73) 3297-1340 /
8102- 4058
Instituto Terra-Mar (sobre carcinicultura no
Nordeste). Contato: (85) 3226-2476 / (85) 3226-4154
Renato
Cunha – Grupo Ambientalista Gambá Contato: (71)
3240-6822
Contatos no IBAMA Marcello
Lourenço - chefe do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos Contato:
(73) 3297-1111 / 8818-5491
Alexandre Cordeiro -
Coordenador de Áreas Protegidas da Diretoria Socioambiental do IBAMA
(DISAM) Contato: (61) 3316-1553 / 1554 / 1564 / 9986-4341 /
8847-8776
# # #
Fotos da Consulta disponíveis sob
solicitação
# # #
A Coalizão SOS Abrolhos é uma
rede de organizações do Terceiro Setor mobilizadas para proteger a região com a
maior biodiversidade marinha registrada no Atlântico Sul. A Coalizão SOS
Abrolhos surgiu em 2003, ano em que conquistou uma vitória inédita para a
conservação, ao impedir a exploração de petróleo e gás natural naquela área.
Atualmente a Coalizão está à frente da Campanha “SOS Abrolhos: Pescadores e
Manguezais Ameaçados". A Coalizão é formada pela Rede de ONGs da Mata Atlântica;
Fundação SOS Mata Atlântica; Conservação Internacional (CI-Brasil); Instituto
Terramar; Grupo Ambientalista da Bahia – Gambá; Instituto Baleia Jubarte;
Environmental Justice Foundation – EJF; Patrulha Ecológica; Associação de
Estudos Costeiros e Marinhos de Abrolhos - ECOMAR; Núcleo de Estudos em
Manguezais da UERJ; Movimento Cultural Arte Manha; Centro de Defesa dos Direitos
Humanos de Teixeira de Freitas; Mangrove Action Project – MAP; Coalizão
Internacional da Vida Silvestre - IWC/BRASIL; Aquasis – Associação de Pesquisa e
Preservação de Ecossistemas Aquáticos; Agência Brasileira de Gerenciamento
Costeiro; Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da
Bahia – CEPEDES; PANGEA - Centro de Estudos Sócio Ambientais e Instituto
BiomaBrasil.