quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Zoológicos dos EUA investem na reprodução de animais ameaçados

Iniciativas chegam a receber investimentos de até US$ 350 mil ao ano.
Apesar do gasto, 83% das espécies não atingem metas de reprodução.


Após farejarem cuidadosamente a grama, três guepardos do centro de reprodução de animais de Front Royal, na Virgínia, nos Estados Unidos, começaram a correr em círculos frenética e repentinamente. Era um sinal de que uma guepardo fêmea, que costuma ficar no pátio, estava no cio. Em seguida, um dos machos soltou um rugido baixo –um sinal de um estado ainda maior de excitação. Os outros machos ficaram de lado.
Para maximizar as chances de um acasalamento bem-sucedido, os cientistas aprenderam a separar os guepardos por gênero, até mesmo os impedindo de verem um ao outro antes de acasalarem. Descobriu-se que a familiaridade também pode desestimular os guepardos.
Finalmente, chegou a hora de trazer a fêmea. Ela parecia incomodada com a avidez do macho e não assumiu uma posição de acasalamento. O encontrou fracassou.
Com o aumento das extinções e a destruição de habitats, os zoológicos estão tentando fazer com que 160 espécies ameaçadas se reproduzam em cativeiro. Contudo, embora o acasalamento na natureza pareça algo básico, que ocorre sem esforço, em cativeiro o processo é bem diferente.
Nos zoológicos norte-americanos, 83% dessas espécies não estão atingindo as metas estabelecidas para a manutenção de sua diversidade genética, informa a Associação dos Zoológicos e Aquários dos Estados Unidos. No caso dos guepardos, menos de 20% dos que habitam os zoológicos norte-americanos conseguiram se reproduzir.
Um guepardo com cinco anos de idade que vive no Instituto Smithsonian em Front Royal, nos Estados Unidos. (Foto: Luke Sharrett/The New York Times)Um guepardo com cinco anos de idade que vive no Instituto Smithsonian em Front Royal, nos Estados Unidos. (Foto: Luke Sharrett/The New York Times)
Os zoológicos precisam descobrir como acasalar guepardos em cativeiro e muitos outros animais dando segurança às populações, antes que a situação deles na natureza se torne insustentável, disse Jack Grisham, que coordena o plano de reprodução de guepardos da associação há 20 anos. Mas a taxa decepcionante de sucesso leva alguns conservacionistas do setor a questionar se os zoológicos deveriam estar no ramo de reprodução. Muitos dizem que prefeririam ver o dinheiro ser redirecionado para a preservação dos habitats e espécies selvagens.
"Eu ficaria mais feliz com a reprodução em cativeiro se achasse que ela ajuda os guepardos selvagens", disse Luke Hunter, presidente da Panthera, um grupo sem fins lucrativos que trabalha em esforços globais de conservação de grandes felinos que vivem em meio natural, incluindo os guepardos. "Quando não ameaçados, eles se reproduzem como coelhos em meio natural. Eles não precisam de uma reprodução assistida superdispendiosa –precisam apenas de um espaço onde perambular."
Gastos de US$ 350 mil para reprodução de guepardos
Todo ano, o Zoológico Nacional do Instituto Smithsonian, de Washington, gasta cerca de US$ 350 mil na reprodução de guepardos em seu espaço em Front Royal, que abriga 18 outras espécies. Essa verba sustenta a coleta de dados e a logística da reprodução de animais a longa distância, entre outras despesas. Existem programas semelhantes de procriação de guepardos em outros quatro centros nacionais dirigidos por zoológicos.
Contudo, apesar de duas décadas de esforços contínuos, a população cativa de guepardos da América do Norte – 281 animais – gera em média apenas 15 filhotes por ano, exatamente a metade do que seus tratadores estimam ser necessário para manter um nível saudável de reposição.
Para os guepardos, é muito mais complicado procriar do que, por exemplo, para os seus primos entre os felinos grandes, os leões e tigres, que se reproduzem com facilidade. Porém, não se reproduzem de modo tão complicado quanto os pandas, que desde 2010 não produzem um filhote em cativeiro nos Estados Unidos.
Apesar de não estar ameaçada de modo crítico, a população mundial de guepardos despencou. Na virada do século XX, aproximadamente 100 mil guepardos perambulavam da África ao Mediterrâneo e à Índia, segundo o Instituto Smithsonian. Hoje, representantes da Panthera e da associação de zoológicos estimam que restam entre 7 e 10 mil animais da espécie em meio natural, em consequência da perda de habitat, caça ilegal e conflitos com fazendeiros.
A Panthera promove programas comprovados que ajudam os guepardos a sobreviverem ao lado das pessoas. O grupo orienta pequenos criadores de animais sobre como prevenir que os felinos devorem seus animais e até mesmo doa cães de guarda treinados para o trabalho. Porém, segundo Grisham, independentemente da agressividade com que os grupos de conservação lutem para preservar as populações selvagens, as pressões são tamanhas que os animais dos zoológicos talvez sirvam algum dia como um banco genético seguro.
Os cientistas tentam a reprodução em cativeiro desta espécie para evitar sua extinção. (Foto: Luke Sharrett/The New York Times)Os cientistas tentam a reprodução em cativeiro desta espécie para evitar sua extinção. (Foto: Luke Sharrett/The New York Times)
"Noé se equivocou totalmente"
Os programas de procriação não buscam apenas preservar as espécies, mas também garantir que os zoológicos continuem a se desenvolver. Até os anos 70, os zoológicos eram autorizados a capturar os animais que queriam exibir. Porém, a crescente conscientização da vulnerabilidade de muitas espécies motivou a elaboração de tratados. E a Lei das Espécies Ameaçadas, de 1973, restringe a importação de animais ameaçados, mesmo que para zoológicos.
Assim, os zoológicos começaram a desenvolver programas coordenados de procriação para espécies ameaçadas. Em 2000, a associação abriu um Centro de Gestão Populacional dirigido pelo zoológico Lincoln Park de Chicago, com vistas à realização de análises genéticas e demográficas detalhadas da procriação dos animais, ameaçados ou não, em 235 zoológicos. Membros da equipe da associação elaboram recomendações sobre as melhores formas de viabilizar a procriação de cada uma dessas populações.
Em uma população em cativeiro, assim como nos zoológicos, a prioridade reside nos níveis elevados de diversidade genética, o que busca manter a adaptabilidade das espécies e prevenir a endogamia. O resultado é uma espécie de seleção natural reversa, de modo que os animais com a taxa mais baixa de sucesso passem ao topo da lista de prioridade por conta da raridade de seus genes.
Sarah Long, diretora do Centro de Gestão Populacional, de Chicago, disse que os zoológicos começaram com muito poucos animais de cada espécie, e muitos não contam com uma variação genética suficiente para assegurar a sua sobrevivência em cativeiro por longo prazo. A população fundadora média para as espécies nos zoológicos americanos era de aproximadamente 15 animais. Hoje, 20 é o número mínimo considerado hoje pelos zoológicos para os mamíferos maiores.
"Noé se equivocou totalmente", disse Long. "Um, dois ou mesmo uma dúzia de animais de cada espécie não é um número suficiente." A associação dirige cerca de 600 programas cooperativos de procriação, mas até o momento criou apenas planos formais de procriação para 357 espécies. A União Internacional para Conservação da Natureza considera que apenas cerca de 55% das espécies às quais são dedicados planos específicos estão em risco na natureza, entre elas os gorilas-das-planícies-do-oeste e o órix-cimitarra.
Ainda assim, 40% dessas 357 espécies sob gestão populacional estão diminuindo – por alguns motivos conhecidos e, em outros casos, desconhecidos. O número de ursos andinos está encolhendo porque os zoológicos passaram a investir menos na reprodução anos atrás e a população se tornou velha demais para procriar. Acredita-se que o cob-do-Nilo, um antílope, esteja sofrendo em cativeiro porque os zoológicos estão alocando menos espaço para essa espécie rara.
Um filhote de guepardo com dois meses de idade que nasceu no Instituto Smithsonian. (Foto: Luke Sharrett/The New York Times)Um filhote de guepardo com dois meses de idade que nasceu no Instituto Smithsonian. (Foto: Luke Sharrett/The New York Times)
Simulando o meio natural
Poucos felinos grandes vivem tão perto dos seres humanos quanto os guepardos. Acredita-se que eles começaram a ser mantidos como animais de estimação pela realeza em 3000 a.C. Os pesquisadores, porém, ainda estão tentando compreender a dinâmica do acasalamento da espécie, disse Adrienne Crosier, diretora do programa de procriação de guepardos do Zoológico Nacional do Instituto Smithsonian.
Durante décadas, os zoológicos costumavam encher casas temáticas com todos os tipos de felinos grandes e tratá-los de modo semelhante. Porém, seus padrões de acasalamento podem ser radicalmente diferentes. Por exemplo, os leopardos-nebulosos, uma espécie bastante ameaçada que possui manchas menos definidas, acasalam durante a juventude. Se levados ao cativeiro já quando são adultos maduros, ficam extremamente estressados, e o macho pode vir a matar a fêmea. Esses ataques ocorreram várias vezes, até os pesquisadores perceberam qual era o problema.
Os guepardos, por sua vez, não vivem em pares. Mas os cuidadores de zoológico entenderam isso apenas nos anos 1990. Mais recentemente, os pesquisadores descobriram que as guepardos fêmeas férteis que não têm laços biológicos ou que não foram criadas juntas não devem ser mantidas juntas, porque a fêmea não dominante sofre tamanho estresse que deixa de entrar no cio.
Para driblar esses problemas com os guepardos e outros animais, os zoológicos estão dando ênfase aos centros de conservação, que se parecem menos com zoológicos e mais com fazendas ou parques de safári. O centro de preservação animal de Front Royal possui espaço suficiente para dar conta das idiossincrasias dos animais e simular o meio natural.
Genes ótimos
Os cinco centros que procriam guepardos agora contam com um número desproporcional de vitórias, incluindo um caso incomum, ocorrido aqui em 2010. Apesar de muitas tentativas, uma guepardo fêmea de 5 anos não conseguiu procriar durante dois anos. Restavam a ela apenas poucos anos de idade fértil, de modo que um novo macho foi trazido da Flórida, a 1.450 quilômetros de distância.
Deu certo. Nascido como filhote único, o guepardo, chamado Nick, foi tirado dos cuidados da mãe por conta de outra descoberta de pesquisa: dentre os grandes felinos, apenas o guepardo não produz leite suficiente para seu bebê se houver apenas um filhote sendo amamentado. Prevendo essa possibilidade, Crosier programou outra gravidez de guepardo para coincidir com a da mãe de Nick.
Enquanto o centro aguardava o outro nascimento, Nick foi alimentado com mamadeira coberta com pele de guepardo, para que não se acostumasse demais com os humanos. Quando o nascimento seguinte – de outro filhote único – ocorreu, os funcionários aguardaram até que a nova mãe se afastasse para comer e então colocaram Nick junto com o novo bebê, esfregando palha nele, para que absorvesse o cheiro do local onde dormiria.
Quando a mãe voltou, os funcionários prenderam a respiração: ela poderia ter matado o filhote facilmente, apenas com um golpe de suas garras. Em vez disso, ela o adotou e cuidou dos dois filhotes. Foi o sexto caso de um transplante assim a acontecer na história dos zoológicos americanos. Poucos meses depois, aos 18 meses, Nick foi separado de sua família adotiva. Crosier espera que ele procrie em breve. "Ele tem ótimos genes", disse ela, com orgulho.




EUA defendem plano ambiental global para reduzir poluição do ar

Americanos querem diminuir fuligem e evitar impacto da mudança climática.
Ação ambiental liderada pelo país conta com outros 19 governos.


A redução da fuligem e de outros poluentes do ar pode ajudar a "ganhar tempo" na luta contra a mudança climática, disse uma autoridade norte-americana nesta terça-feira (24), enquanto sete países se uniram a um plano ambiental liderado por Washington.
A poluição atmosférica, proveniente de fontes que vão dos fogões a lenha da África aos carros na Europa pode ser responsável por até 6 milhões de mortes por ano no mundo e ainda contribui para o aquecimento global, afirmou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Sete países (Grã-Bretanha, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália e Jordânia) uniram-se formalmente à Iniciativa para o Clima e o Ar Limpo, liderada pelos EUA, elevando o total de membros para cerca de 20 desde que o plano foi lançado, em fevereiro.
"Se formos capazes de fazer isso, poderíamos de fato ganhar tempo no contexto do problema global de combater a mudança climática", disse em Paris o enviado especial adjunto dos EUA para mudança climática, Jonathan Pershing, em um briefing à imprensa por telefone.
Pershing afirmou que é preciso "desesperadamente" de tempo para desacelerar o aquecimento global. Diferentemente de outros países desenvolvidos, os EUA não aprovaram leis para cortar as emissões de gases de efeito estufa, apesar dos cortes propostos pelo presidente Barack Obama.

EUA tenta atrair mais países para plano
Pershing disse que o governo dos EUA está tentando atrair mais países para o projeto sobre poluição atmosférica, incluindo a China e a Índia, que estão respectivamente na posição um e três no ranking de emissões de gases de efeito estufa. Os Estados Unidos estão em segundo lugar.
O plano liderado pelos EUA em Paris concentra-se em impor limites à fuligem, ao metano, ao ozônio no nível do solo e aos gases HFC. A fuligem, por exemplo, é capaz de acelerar o derretimento do gelo do Ártico quando cai como um pó escuro que absorve mais calor e derrete o gelo.
Em contraste, os planos da Organização das Nações Unidas (ONU) para combater a mudança climática concentram-se principalmente no dióxido de carbono, principal gás de efeito estufa liberado pela queima de combustíveis fósseis, aos quais se atribui um aumento na ocorrência de estiagens, inundações, incêndios florestais e a elevação do nível dos oceanos.

Aquecimento global atrapalha hibernação

 

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC



Reprodução O aquecimento global tem interferido na hibernação dos animais. Por causa do aumento da temperatura, despertam mais cedo. Isso aconteceu com os ursos na Romênia (país europeu), em 2007. Os mamíferos que acordaram antes do tempo ficaram mais agressivos. Foram registrados, inclusive, ataques a humanos na região.
Além disso, grande parte das espécies que habita áreas polares pode sumir em poucos anos por causa das mudanças climáticas. Entre as mais ameaçadas estão os ursos-polares.
Os bichos costumam comer focas, que são capturadas quando aparecem em buracos no meio do gelo para respirar. Acontece que, por causa do degelo, as aberturas estão maiores, impedindo o grande mamífero de caçar a presa. Assim, muitos estão morrendo de fome. A reprodução também é afetada pelo problema.
Estudiosos acreditam que até 2050 aproximadamente dois terços da população de ursos-polares vão desaparecer. Se nada for feito, não restará nenhum na natureza até o fim do século 21.